Professor Marston & the Wonder-Women, Angela Robinson
.:: 25º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade ::.
Após inúmeras tentativas frustradas ao longo dos anos, o cinema oriundo das histórias de quadrinhos finalmente encontrou com “Mulher-Maravilha” aquele representante tão esperado de uma heroína no centro de uma aventura com toques fantásticos. A receptividade foi tão positiva que a realização de Patty Jenkins é hoje um modelo respeitoso dentro do malfadado universo da DC na tela grande, além, claro, de representar para os fãs um importante manifesto feminista.
Por tudo isso, é inacreditável que “Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas”, aqui narrando a história real de como foi concebida a princesa Diana de Themyscira, tenha passado praticamente batido em seu lançamento comercial nos Estados Unidos e que desembarque aqui no Brasil com publicidade praticamente zero. Sem dizer que a diretora e roteirista Angela Robinson faz muito mais que “Mulher-Maravilha”, exibindo que as heroínas das fantasias devem as suas existências às mulheres do lado de cá, singulares na luta por igualdade e independência.
Muito antes de criar a personagem que rivalizaria com outros heróis dos gibis como o Capitão América, William Moulton Marston (Luke Evans, fácil no melhor papel de sua carreira) foi o criador não recompensado pela criação do detector de mentiras e psicólogo que ministrava aulas ao mesmo tempo em que caçava por voluntários para os seus experimentos. Com a sua esposa Elizabeth (Rebecca Hall), uma mulher muito à frente de seu tempo, eles abordam Olive Byrne (Bella Heathcote).
De personalidade aparentemente ingênua e frágil, Olive, de quem os Marston descobrem ser filha da ativista Ethel Byrne, logo se entrega a um jogo de emoções manipuladas que se converterá em um triângulo amoroso muito bem resolvido. Entretanto, mantido em completo sigilo e encontrando reflexo com a nossa contemporaneidade, não absolutamente afastada do conservadorismo dos anos 1940.
Responsável pelos tolos “D.E.B.S.: As Super Espiãs” e “Herbie: Meu Fusca Turbinado”, Robinson lida com descompromisso em “Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas” de modo mais oportuno, uma vez que a leveza que insere na condução de sua narrativa naturaliza uma relação de fato bela no modo como se constrói e se efetiva. E o fato de tudo resultar na concepção de Mulher-Maravilha só vem a dignificar o que ela representa no imaginário coletivo: um símbolo de destreza e esperança.

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