Fala Sério, Mãe!, de Pedro Vasconcelos

Com formação em jornalismo, a escritora Thalita Rebouças usou a perícia típica da profissão para investir em uma bem-sucedida carreira como escritora, sendo a maior do Brasil no segmento juvenil. Transformou em sua maior propriedade criativa a série “Fala Sério!”, antes a coluna da última página da Revista Atrevida e hoje a fonte de origem de “Fala Sério, Mãe!”, na qual tem participação como colaboradora no processo de adaptação.

Diretor geral da novela “A Força do Querer” e com passagem pelo cinema na condução de “O Concurso”, Pedro Vasconcelos tem a excelente ideia de construir uma relação entre mãe e filha dando para cada uma um tempo equivalente de protagonismo. De Ângela (Ingrid Guimarães), acompanhamos a sua perspectiva como uma mulher casada entrando na maternidade. De sua filha mais velha, Malu (Larissa Manoela), há um posicionamento no centro da narrativa quando já se encaminha para a adolescência.

De modo excessivamente ágil, episódico mesmo, “Fala Sério, Mãe!” vai costurando a cumplicidade e até o antagonismo entre Ângela e Malu para enaltecer o apego que há na criação dos filhos e a dureza em libertá-los para enfrentar sozinhos a realidade da vida, com todos os seus riscos e possibilidades. Mas há alguns respiros, geralmente promovidos por participações especiais, como as do comediante Paulo Gustavo e do cantor Fábio Jr.

Os resultados só não são mais efetivos devido a embalagem conferida por Pedro Vasconcelos. Além de uma linguagem televisiva que corrompe a fotografia, a cenografia, a trilha sonora e até a regência do roteiro, “Fala Sério, Mãe!” também não consegue dar conta com os seus 79 minutos de cobrir com consistência uma relação de 18 anos entre essas mulheres.

De qualquer modo, Ingrid Guimarães e Larissa Manoela têm química evidente em cena, ainda que a segunda esteja presa em um mecanismo de atuação que a faz entoar monólogos com artificialidade. Além do mais, contornam muito bem as curvas dramáticas do texto, capazes inclusive de sensibilizar as mães e filhas, quando não pais e filhos, na plateia.

3 respostas a “Resenha Crítica | Fala Sério, Mãe! (2017)”

  1. Avatar de Cinéfila por Natureza
    Cinéfila por Natureza

    Assisti a este filme ontem. Pensei que se trataria de uma bomba, mas fui surpreendida positivamente com o filme. Gostei da alternância entre os pontos de vista da mãe e da filha e também destaco como ponto alto do longa a química entre Ingrid Guimarães e Larissa Manoela. Acho que quem vivencia esse relacionamento de mãe e filha se identificará com vários dos conflitos que são retratados pelo filme.

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  2. Avatar de C
    C

    Para quem leu os livros, o filme é meio decepcionante mesmo. Muito rápido e com poucas histórias

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    1. Avatar de Alex Gonçalves

      C., não pude ler ao livro. Sem o peso disso, posso dizer que tudo acontece de modo meio superficial mesmo.

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