Ainda que tenha vivido em tempos mais recentes como um diretor de aluguel ao invés de um autor de cinema, consigo compreender o afeto que muitos desenvolveram pelo sueco Lasse Hallström, sobretudo a partir de “Minha Vida de Cachorro”. É preciso ser um observador nato para contar histórias de vidas comuns e “Chocolate”, que chegou a disputar o Oscar de Melhor Filme, é uma de suas melhores obras nesse sentido.
Apesar do tom fabular aqui e ali, o ponto de partida é apenas a jornada de uma mãe solteira partindo para uma comunidade conservadora na qual abrirá uma chocolateria. E no fim das contas, não haveria ninguém melhor do que Lasse Hallström para contar essa história.
O mais adorável em “Chocolate” é como as promessas de caricaturas se transformam em figuras realmente humanas na condução de Hallström, tratando com muita sensibilidade desde a mulher nômade encarnada por Juliette Binoche até o conde que lhe faz oposição direta, interpretado pelo sempre excelente Alfred Molina.
Além do conflito central, é também uma produção que tem muito tato para comentar sobre repressão feminina, o tratamento dado a figuras estrangeiras e como a religião é usada como instrumento de controle, no processo inclusive arruinando laços familiares e matrimoniais.
Se você não gosta de “Chocolate”, eu te odeio!
★★★★
Chocolat
Direção de Lasse Hallström
Assistido em VHS (Imagem Filmes)

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