O americano Philip Roth, de 75 anos, é um escritor reconhecido mundialmente. Embora se tenha registrado um ou outro roteiro que fora adaptado de um romance do autor, foi somente em 2004, por meio de “Revelações”, que Roth se tornou um nome mais conhecido no cinema.
“Fatal”, que surgiu através de “O Animal Agonizante” – aqui no Brasil traduzido em 128 páginas pela Companhia das Letras –, marca um segundo esforço do roteirista há muito tempo indicado ao Oscar por “Visões de Sherlock Holmes”, Nicholas Meyer. Embora tanto “Revelações” quanto este “Fatal” sejam bons, ambos os dramas têm uma falha comprometedora: uma direção irregular.
A boa notícia é que Phillip Noyce, um diretor muito competente, vai ser o responsável por “American Pastoral”, que traz os nomes ainda não confirmados de Jennifer Connelly, Paul Bettany e Evan Rachel Wood.
Em uma análise imediata, pode-se apreciar o mais recente “Fatal”, trazendo um relacionamento parecido com o de “Revelações”, de um personagem central velho apaixonado por uma mulher muito mais jovem. David Kepesh (Ben Kingsley) é um professor universitário que, no passado, rompeu o casamento com sua esposa e que até hoje mantém distância de seu filho Kenneth (Peter Sarsgaard, com raras aparições durante a projeção).
Entre os relacionamentos amorosos com a amante Carolyn (Patricia Clarkson) e os de amizade com o poeta George O’Hearn (Dennis Hopper), David reserva espaço para se apaixonar quase que perdidamente pela sua aluna Consuelo (Penélope Cruz).
O caso não se mostra muito intenso até o momento em que Consuelo quer firmar um compromisso sério, enquanto David tenta se distanciar desta responsabilidade com as incertezas que sua idade oferece.
Com tantos temas como o relacionamento entre pai e filho, no qual Kenneth parece seguir os rumos do pai deixando o seu casamento em risco ao confessar um caso extraconjugal, e a dor que uma perda pode causar, Isabel Coixet, a diretora do excelente “Minha Vida Sem Mim”, confere frieza naquilo que há de melhor no filme: o casal formado por David e Consuelo.
Ben e Penélope exibem notável beleza na encenação de cenas amorosas, mas o filme parece não se movimentar com o excesso de sentimentos tão conflitantes, mesmo com um primeiro ato muito bem resolvido. Como Robert Benton fez em “Revelações”, Isabel Coixet não tem o pulso forte necessário no comando de “Fatal”.
O resultado é bem morno. Como curiosidade, elegia é o nome que se dá a um poema lírico e triste, enquanto o animal agonizante é o título que inspirou Philip Roth através de um poema de William Butler Yeats.
★★★
Elegy
Direção de Isabel Coixet
Assistido em DVD (Imagem Filmes)
Texto originalmente publicado em 06/03/2009

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