Uma das coisas mais lindas que observo nos meus filmes independentes americanos favoritos é aquele sentimento por trás de cada cena de que tudo o que está nos sendo mostrado é importante para o seu realizador.
Não somente o desejo do fazer cinematográfico em si, mas também aquelas características meio autobiográficas capturadas aqui ou ali sem conhecimento prévio da vida pessoal do artista em construção.
Sem dúvida alguma, essa é a maior virtude de “The Watermelon Woman”, onde a diretora Cheryl Dunye enche de afeto uma história em que exibe o seu senso de pertencimento ao mundo enquanto investiga o passado misterioso de uma atriz negra que a fascina.
Ela tem carinho por si, pelas personagens ao seu redor e pela causa que documenta, que é mais ficcional do que a versão que apresenta de si mesma para nós.
O terceiro ato acaba se perdendo na necessidade de oferecer resoluções em duas frentes, sendo a da balconista de locadora se transformando em cineasta e a dos resultados de pesquisas e coletas de depoimentos que constroem o documentário fragmentado nos créditos finais.
De qualquer forma, isso não anula o feito de “The Watermelon Woman” como um dos filmes mais representativos de sua época, tendo custado apenas 300 mil dólares para ser produzido e hoje já consagrado como clássico moderno cult – uma pena somente constatar que, aparentemente, Cheryl Dunye não teve a oportunidade de entregar outro filme igualmente substancial desde então.
★★★
The Watermelon Woman
Direção de Cheryl Dunye
Assistido no MUBIFEST (disponível na MUBI)

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