Baltasar Kormákur se consolidou como um dos nomes islandeses mais reconhecidos da indústria, com uma trajetória sólida como cineasta e produtor. Embora tenha registrado êxito crítico em projetos rodados em seu país, ele definitivamente não se comporta como um autor quando suas prioridades se voltam para Hollywood.
Parceiro de Mark Wahlberg em “Contrabando” (2012) e “Dose Dupla” (2013), Kormákur demonstra seu apreço pela ação ao conduzir o novo desafio de Charlize Theron no gênero. Em “O Jogo do Predador”, ela interpreta uma viúva que busca sentido na vida enfrentando desafios radicais, desde escalar a Muralha Troll, na Noruega, até navegar de caiaque pelos rios selvagens da Austrália.
Há algo em “O Jogo do Predador”, no entanto, que justifica a distinção de Kormákur como um talento estrangeiro atento a nuances. A partir do roteiro do iniciante Jeremy Robbins, o espectador pode acreditar, no primeiro ato, que revisitará a velha história de uma mulher independente atormentada por um bando de homens locais.
Essa premissa, clássica do Ozploitation, logo é subvertida. Taron Egerton é posicionado como a única ameaça real, guardando cartas na manga sobre seu verdadeiro propósito em não facilitar as coisas para a destemida protagonista.
O resultado final não deixa de ser bobo, mas os esforços em converter a narrativa em um terror são perceptíveis. Além do mais, filme cumpre a missão de não deixar o fluxo de adrenalina despencar dentro de seus enxutos 90 minutos de duração.
★★★
Apex
Direção de Baltasar Kormákur
Disponível na Netflix

Deixe um comentário