Na sua estreia como diretor em “Os Estranhos”, Bryan Bertino realmente apresentou uma compreensão bastante especial daquilo que pode nos apavorar. Isso é evidente mesmo dentro da velha premissa do home invasion.
Durante quase 90 minutos, ele estabeleceu um jogo perverso contra seus protagonistas. O cineasta deixou-os exaustos física e emocionalmente até o ato final, marcado por um tom pessimista.
Lamentavelmente, nada do que Bryan Bertino apresentou posteriormente chegou aos calcanhares de “Os Estranhos”. Destaque-se, desta vez, “Perseguidos Pela Morte”, em que o realizador flerta com o formato found footage para administrar três núcleos de personagens que aceitam um desafio macabro.
Crente de que desenvolveu um conceito espetacular em sua parceria com Sam Esmail, Bertino deixa seu elenco sem traquejo à deriva. O diretor repete exaustivamente os mesmos estados de desespero até a conclusão — que substitui a promessa óbvia de ameaça sobrenatural por uma solução das mais implausíveis (para não dizer idiotas) do cinema de terror moderno.
Na realidade, ainda faltam ser acessados os dois projetos mais recentes de Bertino: “Demoníaca” (que ele fez para a Netflix em 2020) e “Vicious” (finalizado recentemente para a Paramount, com Dakota Fanning como protagonista).
No entanto, considerando os aborrecimentos de “Perseguidos Pela Morte” e “Um Monstro no Caminho”, tudo leva a crer que se trata de mais um caso de diretor que ficou na promessa de seu incrível debut.
★
Mockingbird
Direção de Bryan Bertino
Assistido em DVD (Universal Pictures)

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