Resenha Crítica | Nunca é Tarde Para Amar (2007)

Nunca é Tarde Para Amar

A indústria cinematográfica nunca escondeu sua preferência por profissionais mais jovens e belas na seleção ao formar um elenco, descartando as marcas da idade de uma atriz amadurecida.

Para reverter essa situação, muitas acabam optando por se sustentar com cirurgias plásticas em busca da aparência perfeita como chamariz do público — um tema pouco debatido que Amy Heckerling selecionou para abordar na sua nova comédia “Nunca é Tarde Para Amar”.

É a Mãe Natureza da comediante Tracey Ullman que se encarrega de desabafar, em uma pequena sequência antes dos créditos iniciais, sobre a beleza física que os humanos insistem em preservar.

Mas não há pessoa melhor do que a musa Michelle Pfeiffer para servir de modelo para este retrato. Não é desnecessário mencionar aqui que Pfeiffer já seja de fato vítima desta fatalidade artística.

Recentemente, ela já encarnou uma ex-miss Baltimore sem o mesmo prestígio de outrora e uma bruxa que almeja a beleza de uma estrela cadente. Outro tema sutilmente contado é o preconceito acerca de um relacionamento que se transforma em escândalo por causa das diferenças de idade.

A loura de quase cinquenta anos retorna aos primeiros passos da quarta década de existência como Rosie, produtora de um seriado protagonizado por adolescentes, mas que se desespera com os anúncios de audiência.

Resta incrementar nos roteiros algo que dê novo fôlego ao programa. E isto ela encontra em Adam (Paul Rudd) nos ensaios para seleção de elenco, um profissional jovial escalado para representar um nerd no seriado.

Uma repentina atração entre ambos aparece e logo surgem as discussões sobre a idade — que chega em seu ápice quando Rosie e Adam são submetidos a comparações pelo ex-marido (Jon Lovitz) sobre a relação de Demi Moore e Ashton Kutcher.

Com uma produção que poderia facilmente ser rotulada como comédia romântica típica, Heckerling mostra que deu longos passos para não receber tal inglória. É o altar de sua nova década em atividade.

Sua trajetória já foi marcada nos anos 80 com o ousado retrato adolescente em “Picardias Estudantis” e nos anos 90 pela caricatura da classe média alta em “As Patricinhas de Beverly Hills”.

Faz-se necessário tal honra em um filme onde há boas risadas e um estudo sobre essa obsessão pela beleza. A obra ainda encontra despretensão para alfinetar, por meio das modificações musicais da filha de Rosie (Saoirse Ronan), o incompetente governo Bush.

★★★★
I Could Never Be Your Woman
Direção de Amy Heckerling
Assistido nos cinemas (California Filmes)
Texto originalmente publicado em 13/02/2008

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