Com o objetivo de entrevistar Laura Quinn (Demi Moore) para uma matéria sobre o surgimento da mulher moderna a partir da década de 1950, Cassie (Natalie Dormer) surpreende-se ao ver que ela guarda consigo um precioso diamante.
Com o relato de como adquiriu o objeto, somos transportados para a Londres de 1960. Acompanhamos como Laura subiu de cargo de executiva para gerente da Companhia de Diamantes, uma empresa controlada por homens.
Antes, é mostrada a sua rotina naquele lugar e como ela se envolveu com Mr. Hobbs (Michael Caine), um zelador. É ao focar a relação entre estes dois personagens que o roteiro do estreante Edward A. Anderson começa a ganhar formas muito bem desenhadas.
O cineasta Michael Radford, aclamado por filmes como “O Carteiro e o Poeta” e “O Mercador de Veneza”, prova ser um profissional que sabe aproveitar muito bem os outros departamentos de suas produções.
Neste filme, destaca-se a impecável direção de arte de Chris Lowe e a trilha sonora composta por Stephen Warbeck. Radford também aproveita os talentos de Moore e Caine, trabalhando juntos pela segunda vez após a comédia “Feitiço do Rio”.
A dupla ajuda para que a história de Anderson não se limite somente ao delineamento do roubo ao cofre da Companhia. O crime serve como pretexto para aplicarem as suas vinganças pessoais.
O motivo de Laura é a descoberta de que será desligada da empresa, enquanto o de Hobbs é revelado somente nos instantes finais. Na execução do roubo, que soma pontos por primar pela inteligência e não pela ação, o longa conclui sua proposta com elegância.
A obra utiliza até mesmo em seu decorrer uma referência do filme “Instinto Selvagem”, a antológica cruzada de pernas. É nesta e em outras observações que notamos o modelo para representar a mulher moderna que Anderson resume na conclusão: sábia, generosa e livre, mas que sempre reserva um pouco de vaidade.
★★★★
Flawless
Direção de Michael Radford
Assistido em DVD (Paris Filmes)
Texto originalmente publicado em 11/04/2008

Deixe um comentário