Estamos acostumados a assistir a filmes dramáticos com personagens desorientados com os próprios sentimentos. Com algum acontecimento marcante ou com o relacionamento com outra pessoa, a emoção vem à tona e o que vem em seguida é o declínio total ou uma chance para um recomeço, dependendo da circunstância.
“Ligados Pelo Crime” também conta com essa premissa, mas se diferencia das produções contemporâneas por fazer uso de quatro emoções distintas e essenciais do ser humano como atração principal. Felicidade, prazer, tristeza e esperança são apresentadas separadas em quatro atos que se fundem.
É usado o mesmo recurso de “Crash – No Limite”, “Babel“ e “Encontros Do Destino”, onde uma ação pode ter consequências arrebatadoras, fazendo com que outros personagens sejam envolvidos e ganhem importância na história. O filme também usa timidamente a borboleta como símbolo da alma, do renascimento e da transformação.
Este, por sinal, é o inseto pelo qual o personagem de Whitaker tem um grande fascínio. O ator, que venceu o Oscar por “O Último Rei da Escócia”, é o protagonista do capítulo “Happiness”, onde o seu personagem nos informa que tem uma vida harmoniosa, mesmo que seja em um cotidiano repetitivo.
Depois de ouvir às escondidas o possível campeão de uma corrida de cavalos em um torneio que ainda deve acontecer, ele envolve-se com o perigoso mafioso Fingers (Andy Garcia) e é ameaçado. Ele só será poupado caso consiga uma alta quantia, já que apostou todo o dinheiro que tinha no cavalo chamado Butterfly.
Resta planejar um assalto. Por incrível que pareça, cada um dos personagens dos outros segmentos também tem um momento de prazer, tristeza e esperança, só que por motivos contrários. É o caso do gângster de Brendan Fraser, que descobre o prazer no instante em que interfere nas suas próprias premonições.
A trama segue com a cantora pop de Sarah Michelle Gellar que, mesmo com o enorme sucesso, tem uma vida amargurada. Já o doutor vivido por Kevin Bacon nutre uma paixão não correspondida por Gina (Julie Delpy). O drama trabalha profundamente estes quatro sentimentos presentes em todas as fases de nossas vidas.
Mas não serão todos que devem se satisfazer com a história. O roteiro de Bob DeRosa, em parceria com o próprio Jieho Lee, arquiteta soluções sufocantes, mas através de algumas coincidências que podem não ser bem aceitas. Especialmente no trecho em que Bacon tenta salvar Gina do veneno que circula pelo seu corpo.
Resta ao espectador encarar essa saída para a conclusão de forma positiva para que o filme o toque de forma intensa. Com lançamento confirmado pela California Filmes em DVD para o dia 6 de maio, a obra garante uma comunicação imediata ao lidar com essências tão íntimas.
★★★
The Air I Breathe
Direção de Jieho Lee
Assistido em DVD (California Filmes)
Texto originalmente publicado em 21/04/2008

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