Aos 63 anos, Gregory Hoblit iniciou tardiamente a tarefa de diretor de longa-metragem, sendo a sua primeira realização o thriller “As Duas Faces de um Crime”, produção inteligente que havia revelado o talento de Edward Norton.
Deste filme até o recente “Sem Vestígios”, seguiram-se um total de seis longas com algo em comum: todos constam elementos suspicazes em suas narrativas.
Nada de tão excepcional, com exceção de “As Duas Faces de um Crime” e o empolgante “Alta Frequência”, mas que revelaram um diretor com muita intimidade com o gênero, pelo talento em fazer com que o espectador se envolva com a premissa e seus personagens com o acúmulo de enigmas e a revelação destes. É o que acontece em “Sem Vestígios”, um suspense investigativo.
Especialista em crimes virtuais, a Agente Jennifer Marsh (Diane Lane) depara-se com um grande desafio: analisar um site obscuro chamado Mate Comigo. Ao acessá-lo, na companhia do seu parceiro Griffin Dowd (Colin, filho de Tom Hanks), Marsh é direcionada automaticamente a uma filmagem ao vivo de um gato sendo torturado.
Vendo que o ato cruel não é uma brincadeira e que chamou a atenção de um pequeno número de internautas, o autor por trás do crime decide continuar investindo em seu site.
A próxima vítima é um homem selecionado de forma aparentemente aleatória, que tem como objetivo tornar o próprio visitante do site como cúmplice dos crimes. E conforme o número no contador de visitas se eleva, a vítima morre mais rápido, diminuindo as chances do FBI interferir.
Contando com o trio de roteiristas Robert Fyvolent, Mark R. Brinker e Allison Burnett, “Sem Vestígios” poderia fazer alguns ajustes na construção da narrativa, como ignorar a vida familiar de Jennifer Marsh e uma perda do passado, que ocupam um bom espaço da metragem mas que pouco pesam quando os eletrizantes acontecimentos finais se apresentam.
Mas é oportuno o proveito que fazem do fato de utilizarmos a internet como entretenimento por meio de acessos a conteúdos extravagantes como filmagens de indivíduos no ato da própria morte, mesmo que esta abordagem sirva como plano de fundo quando a tensão aumenta.
Ainda assim, o filme funciona por Diane Lane, perfeita na composição da Agente Jennifer, e pela satisfação sempre presente nos filmes de Hoblit, mesmo trabalhando com tramas que seriam melhores com um número maior de revisões.
★★★
Untraceable
Direção de Gregory Hoblit
Assistido em DVD (Sony Pictures)
Texto originalmente publicado em 02/06/2008

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