Com apenas 24 anos de idade, a americana Billie Eilish tem distinções em sua carreira que muitos veteranos tarimbados não receberam. Com três discos de estúdio lançados, a jovem segue desconhecendo o que não é ter êxito crítico e comercial, e soma dez vitórias no Grammy e duas no Oscar.
Atualmente no Spotify, ela é a 12ª artista mais ouvida no mundo. Porém, se nem Taylor Swift, que acumula ainda mais louros, está longe de ser uma unanimidade, há também pessoas que não são sintonizadas com as canções pop intimistas de Billie Eilish.
E isso pode custar para alguns espectadores que irão assistir a “Billie Eilish: Hit Me Hard and Soft – The Tour in 3D” como uma chance de conhecê-la em uma tradução para o cinema, ou mesmo porque consta no crédito a colaboração de James Cameron como codiretor desse filme-concerto.
Quem não gosta das músicas dela não encontrará aqui uma narrativa que possa dar a elas um outro sentido. Piora a decisão da distribuidora em não inserir legendas durante as performances, algo lamentavelmente corriqueiro nesse modelo de produção.
Como Billie conta em depoimentos de bastidores, o seu propósito foi sempre tomar o palco para si, para assim estabelecer um vínculo com o seu público sem muitas distrações ao seu redor.
Por sinal, as poucas provações enfrentadas por uma mulher nascida após os anos 2000 inclusive denunciam uma falta de bagagem de vida – a Síndrome de Tourette ao qual foi diagnosticada jamais é pauta aqui. Afora as questões de figurino que já debateu tanto em entrevistas, Billie não é alguém que verdadeiramente se rebelou contra o mundo.
Temos a milionária que critica bilionários (embora dirigida por um deles) e que adota uma postura de rapper, mas sem que cause uma consternação além do choro de uma audiência mais nova que ela, admirada com a cantora que testemunha no palco.
Além das pausas para acariciar cães de abrigos locais e da ausência de seu irmão pela primeira vez em sua agenda de apresentações, resta para James Cameron pensar em como aproximar Billie Eilish ainda mais dos seus entusiastas na sala de cinema.
No entanto, chega um instante em que as possibilidades que há no palco 360º se esgotam, encerrando antes da hora o deslumbre visual da experiência 3D. Definitivamente, um filme feito somente para os fãs, mesmo.
★★
Billie Eilish: Hit Me Hard and Soft – The Tour in 3D
Direção de Billie Eilish e James Cameron
Em cartaz nos cinemas (Paramount Pictures)

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