Maldição e vingança são lemas sempre presentes nos horrores orientais atuais que ganham destaque no circuito nacional. Os menos adeptos às culturas dentro deste gênero garantiram a oportunidade de se aprofundar nela depois da celebrada refilmagem de “O Chamado”.
Graças ao triunfo do longa de Gore Verbinski — o mesmo por trás de outro êxito, a trilogia “Piratas do Caribe” —, o número de atualizações americanas aumentou assustadoramente. O espectador foi brindado com a descoberta dos filmes que serviram como fonte de inspiração.
No entanto, quando conferida uma boa quantidade de produções daquele país, é inevitável o quanto as premissas são capazes de esgotar o espectador. Com um título nacional errôneo, nada tendo a ver com os personagens ou roteiro de “Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado”, a obra trabalha com uma ideia que envolve maldição e vingança.
O filme se diferencia pelas inesperadas semelhanças com um cult do diretor Brian De Palma, o suspense de 1973 “As Irmãs Diabólicas”. Mesmo que talvez Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom não tenham visto o filme, nota-se que ambos se inspiraram no caso delicado de irmãos siameses.
Enquanto De Palma se aproveitou da notícia de mudança de personalidade de dois irmãos após uma cirurgia, os cineastas asiáticos estudaram os dados que indicam que em somente 1% dos casos se vê a vitória da operação onde os dois irmãos ou irmãs sobrevivem.
Os drásticos desfechos das obras são resultantes de uma medonha paixão entre os personagens principais. Por essas circunstâncias, o público pode comemorar o bom resultado de “Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho”, onde Pim (Masha Wattanapanich) é atormentada pela alma penada da sua irmã, morta depois de se submeterem à cirurgia que as separaria.
Como de costume nas produções nipônicas, existe um cuidado todo especial na arquitetura de uma atmosfera sombria e no uso da trilha sonora de Vittaya Wasukraipaisan para auxiliar essa construção. Entretanto, o ponto fraco fica pela insistência em pregar sustos a todo momento.
A técnica acaba não tendo impacto pela repetição e previsibilidade com a qual se apresenta, um mal que também acometeu a produção anterior da dupla. É nos instantes finais que reside o talento único dos diretores, em uma reviravolta totalmente surpreendente e que condiz com tudo ali visto anteriormente, onde a natureza das personagens nem sempre é o que aparenta ser.
★★★
Alone
Direção de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Assistido em DVD (PlayArte)
Texto originalmente publicado em 16/06/2008

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