Resenha Crítica | Como Era Verde o Meu Vale (1941)

Como Era Verde o Meu Vale

Entre os pecados que carrego naquilo que está fora da minha bagagem de cinéfilo está que nunca havia assistido a um filme de John Ford. Ele foi um diretor que teve grande parte de sua carreira pavimentada pelo faroeste, um dos gêneros que menos priorizo.

Como consequência, “Como Era Verde o Meu Vale” seguia como um título no meio da dúzia de vencedores do Oscar de Melhor Filme que eu ainda não tinha visto. Sobretudo por comprar a crença de que esse era um melodrama com uma visão muito ingênua sobre o cotidiano de uma família de operários.

Pois hoje esta obra não somente representa a minha primeira visita à filmografia de Ford, como também não compartilho dessa perspectiva — ao contrário. Para um filme de 1941, que adapta um romance de Richard Llewellyn, há aqui um olhar bastante incisivo.

O diretor expõe como é destrutivo o modo de vida dessa família e de sua comunidade, totalmente dependente do trabalho exploratório em uma mina. Além disso, também observa como é perigoso o refúgio que esses indivíduos encontram na igreja.

A instituição aqui se mostra bem tirânica com mulheres que desejam amores fora das convenções. O mesmo ocorre com homens que se rebelam contra uma rotina profissional que os adoece — quando não os mata — com a mesma agilidade com a qual são substituídos por outros em situações ainda mais miseráveis.

O ponto de vista da criança, enfatizado pela narração em off com esta já adulta, realmente dá um toque agridoce. Mas é a realidade cruel que a ronda que faz o filme realmente emocionar.

E por falar no inevitável protagonista, muitos aplausos para a interpretação de Roddy McDowall. Ele se notabilizaria anos depois como o caçador de vampiros Peter Vincent, de “A Hora do Espanto”.

Destaque também para Donald Crisp e Sara Allgood, muito afetuosos como os pais do conjunto familiar central.

★★★★
How Green Was My Valley
Direção de John Ford
Assistido em DVD (Fox Film do Brasil)

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