Antes de James Bond e Zorro, o diretor neozelandês Martin Campbell havia dirigido este curioso suspense de Supercine, onde aposto uma cerveja que Yann Gonzalez tenha assistido e relembrado quando começou a desenvolver o seu “Faca no Coração”.
Aqui, Barbara Hershey (ainda recente pelos dois prêmios consecutivos que levou como atriz no Festival de Cannes) interpreta uma advogada que se vê muito mais envolvida do que gostaria em uma premissa a respeito do submundo da pornografia.
Nesse cenário, ela não apenas se descobre amante do marido de sua melhor amiga de juventude (Mary Beth Hurt), como também obtém provas que o denunciam como um produtor que alicia menores de idade, inclusive a própria filha.
Claro que a controvérsia da abordagem faz Martin Campbell domar um suspense que tenta deixar tudo isso o mais secundário possível, priorizando uma protagonista bastante interessante no sentido de ser um poço de contradições e movimentos antiéticos.
Outra característica positiva aqui é como alguns elementos se resolvem muito antes da hora, criando uma sensação de desorientação para nós. Duas grandes ameaças para a personagem de Barbara Hershey são eliminadas rapidamente, sobrando para o espectador algo superior: Mary Beth Hurt. A atriz está, como de costume, perfeita, sobretudo quando se encontra a um passo do completo exagero ou do amargor.
★★★
Defenseless
Direção de Martin Campbell
Assistido em VHS (Videoteca Folha)

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