Em 1995, o roteirista americano Andrew Kevin Walker estabeleceu com “Seven – Os Sete Crimes Capitais” uma nova cartilha de como se fazer um filme sobre assassinos em série. De quebra, o longa basicamente deu para David Fincher uma segunda chance de carreira em Hollywood após todos os revezes sofridos durante a produção de “Alien 3”, a sua estreia no cinema.
Esse universo onde se cometem crimes bárbaros seguiu dentro de abordagens diferentes em seus textos, a exemplo da indústria dos snuff movies explorada em “8mm: Oito Milímetros” ou dos assassinos de aluguel em “O Assassino” — sua mais recente parceria com Fincher. Já no novo “Psicopata em Fuga”, Walker regride ao ponto de ser confundido com um roteirista iniciante, sem muito apego a uma lógica requerida em narrativas pavimentadas por investigações.
Ainda que esforçada, Georgina Campbell (“Noites Brutais”) é um erro de casting em “Psicopata em Fuga”, onde interpreta Jane, uma guarda rodoviária que testemunha o seu marido sendo eliminado pelo Estripador (James Preston Rogers). Este é um assassino em série que cumpre os seus planos quase com a mesma liberdade que temos ao comprar pão na padaria da esquina.
Produtor com nove indicações ao Emmy, Gavin Polone assume o seu primeiro desafio como diretor de um longa-metragem nesta produção, mas os resultados obtidos e apresentados não devem assegurar uma mudança de trajetória. Apesar do excelente trabalho fotográfico do dinamarquês Magnus Nordenhof Jønck (“A Rota Selvagem”, “A Avaliação”), estamos aqui diante de uma obra cujas estilizações pontuais se confundem com os rumos da história.
O que poderia obter um resultado médio, resvalando somente na velha perseguição de gato e rato entre policial e psicopata, vai ganhando contornos absurdos ao misturar músicas de black metal, cultos satanistas, sacrifícios, a caracterização de um vilão semelhante ao Michael Myers de Rob Zombie e até usinas nucleares. Um verdadeiro surto.
★★
Psycho Killer
Direção de Gavin Polone
Indisponível no Brasil

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