Resenha Crítica | Obsessão (2025)

Obsessão

Há dois anos, o jovem Curry Barker se destacou mundialmente ao fazer com apenas 800 dólares um média-metragem que se transformou em sensação em seu próprio canal no YouTube. Trata-se de “Milk & Serial”, terror que produziu, dirigiu, protagonizou, roteirizou, fotografou, musicou e montou.

Todo mundo ficou de olho no seu próximo passo. Muito mais ambicioso, “Obsessão” ainda assim não teria custado mais do que 1 milhão quando foi originalmente produzido.

O público que viu a obra em Toronto saiu extasiado, sobretudo o famoso produtor Jason Blum, que com a Focus Features saiu vitorioso em um leilão que bateu o martelo no anúncio dos 15 milhões pela aquisição dos direitos – os queridinhos independentes A24 e NEON estiveram no ringue até o final.

A premissa é simples. Bear (Michael Johnston) é perdidamente apaixonado por sua colega de trabalho Nikki (Inde Navarrette). No entanto, ambos nunca ultrapassaram os limites de uma friendzone e o rapaz tem medo de arruinar tudo ao declarar o seu amor e não ser correspondido.

Ao comprar um Salgueiro dos Desejos por meros 7 dólares, Bear o quebra dizendo em voz alta que quer ser o maior amor da vida de Nikki. O encanto cai sobre a amiga no segundo seguinte, já demonstrando comportamentos bem perturbadores para satisfazer a vontade do então amigo que considerava um irmão na troca de afetos e cumplicidade.

Agora em um projeto cercado por uma equipe de centenas de colaboradores, Curry Barker abriu mão de alguns departamentos que assumira em “Milk & Serial”. Mesmo que “Obsessão” esteja ganhando o mundo a partir do trabalho de distribuição e promoção de uma grande empresa, esse talento de 26 anos defende a sua própria autoria na direção, no texto, na produção e na montagem.

A organização do filme talvez tivesse melhor destino caso delegada a outra pessoa. Personagem fundamental da história, Sarah (Megan Lawless) é a todo momento apontada como a confidente que gostaria de obter de Bear o mesmo foco que ele deposita em Nikki.

No entanto, ela só passa a receber a devida importância na segunda metade do longa, este também prejudicado por uma sensação de andar em círculos. Qualquer pessoa na situação do protagonista retornaria à loja em que adquiriu o tal Salgueiro dos Desejos no dia seguinte aos eventos testemunhados.

Portanto, ainda que soe precipitada essa alcunha de novo mestre do terror, Curry Barker ao menos tem a sensibilidade de construir um Bear que expõe as fragilidades advindas de uma vida solitária e sem a experiência do amor romântico com bastante franqueza, algo notavelmente raro na construção de protagonistas masculinos no gênero.

Está aí a maior virtude de “Obsessão”, pois somos guiados muito mais pelas escolhas sentimentais do que morais de uma decisão a princípio inocente, mas que levará a narrativa a tomar rumos bastante gráficos que funcionam sobretudo pelo teor da surpresa com o qual se manifestam.

★★★
“Obsession”
Direção de Curry Barker
Em cartaz nos cinemas (Universal Pictures)
Assistido no UCI Metrópole

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