Parece uma tarefa ingrata para qualquer homem, provavelmente antenado nas estreias de “O Incrível Hulk”, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” ou mesmo “Speed Racer”, longas com muita adrenalina, encarar uma obra como “Sex and the City – O Filme”. Na primeira impressão, a produção se apresenta como uma trama com personagens neuróticas e que só pensam nas aparências, usando trajes, calçados e acessórios que custam uma verdadeira fortuna.
E não ajuda muito se você não resgatou alguma informação do formato anterior que rendeu o longa de Michael Patrick King, um seriado televisivo que durou seis anos de transmissão. No fim das contas, não é preciso embarcar em dezenas de episódios das seis temporadas de “Sex and the City” para não se sentir deslocado das passagens vividas por Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Charlotte York (Kristin Davis), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Samantha Jones (Kim Cattrall) no cinema.
Tanto o público feminino quanto o masculino podem se divertir com a afinidade deste quarteto, mesmo que as mulheres consigam se deslumbrar mais. No seriado televisivo, uma adaptação do livro de Candace Bushnell que entrou no ar em 1998, acompanhamos quatro mulheres muito bem-sucedidas profissionalmente, mas com crises nos relacionamentos.
Carrie é uma colunista que fala sobre casos amorosos. Charlotte é a garota correta que procura por aquele tal marido dos sonhos. Miranda é a advogada mais centrada em suas metas pessoais. E, por fim, o grupo se fecha com Samantha, a mais velha das amigas e que sempre vê o sexo como uma prioridade.
Já na versão para o cinema, um grande sucesso de bilheteria e que já tem uma sequência em negociação, muitas mudanças acontecem a essas mulheres. O centro das atenções é Carrie e os preparativos de seu casamento com Mr. Big (Chris Noth). Só que a indecisão do segundo sobre contrair matrimônio por uma terceira vez possibilita que o romance receba modificações não muito esperadas, o que também atingirá todas as amigas da protagonista.
Com uma metragem que ultrapassa duas horas, “Sex and the City – O Filme” acaba com aquela gostosa sensação de quero mais. Isso acontece porque a história assumida pelo diretor Michael Patrick King (cocriador do seriado) sabe discutir com ternura as dificuldades de suas personagens perante o casamento, as barreiras para manter uma família e o vazio existente quando não se é amado, em meio à falta de tempo do companheiro para corresponder a esse desejo.
Neste aspecto, só perde mesmo a figura defendida por Kristin Davis, que não apresenta muitas incertezas a serem avaliadas. E vale informar que comentários por parte da crítica sobre a falta de consistência do roteiro ou mesmo de espaço para os personagens defendidos pelos homens são totalmente descartáveis e preconceituosos.
Para as mulheres, será muito prazeroso acompanhar a jornada de Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha provando peças do elegante guarda-roupa de Pat Fields (nomeada ao Oscar por “O Diabo Veste Prada” e que merece uma nova indicação na premiação de 2009). Já para os homens, será divertido ver que não somos somente nós quem lideramos os problemas vindos de um relacionamento ou que, enfim, somos os únicos a pensar em sexo.
★★★
Sex and the City
Direção de Michael Patrick King
Assistido em DVD (PlayArte)
Texto originalmente publicado em 17/11/2008

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