Em 2007, o diretor Brian Robbins se uniu a Eddie Murphy para realizarem uma comédia que possibilitaria novamente ao comediante uma oportunidade de se dividir em cena, incorporando múltiplos papéis simultaneamente. O resultado foi “Norbit”, obra que obteve bons números nas bilheterias, mas que comprometeu a reputação não tão intacta do astro.
Essa escolha na sua carreira provocou boatos de que foi “Norbit” que não permitiu a sua vitória como melhor ator coadjuvante por “Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho” no Oscar daquele ano, assim como o sucesso de sua nova união com Robbins em “O Grande Dave” — talvez uma injustiça, vendo que esta produção inofensiva e de boas ideias repara, ao menos um pouco, os méritos abalados de Murphy.
Aqui vemos Eddie Murphy se desdobrar em dois tipos. O primeiro é um minúsculo alienígena. O segundo é uma nave com a sua fisionomia, mas com a mesma altura dos seres humanos. Mas antes que essa nave aterrisse na Terra, vemos que Josh (Austin Lynd Myers) observa de noite em seu telescópio um corpo muito similar a uma bola de beisebol vindo em sua direção.
Mal sabe ele que este é um objeto procurado pelo Capitão de Murphy que logo se chamará, para se relacionar com as pessoas sem decretar sua verdadeira origem, de Dave Ming Cheng, nome selecionado às pressas. Sendo atingido acidentalmente por Gina (a adorável Elizabeth Banks) enquanto esta dirigia, Dave e a tripulação dentro de si encontrarão outros elementos além do artefato que, caindo em mãos erradas, pode render o maior caos.
O legal do roteiro de “O Grande Dave”, que é assinado pela dupla Rob Greenberg e Bill Corbett, é que, ao contrário de longas mais sérios sobre invasão alienígena como “Sinais”, de M. Night Shyamalan, e “E.T. – O Extraterrestre”, de Steven Spielberg, a fita gera boas situações quando são esses outros seres que aprendem a viver em harmonia. Eles se sentem confortáveis ao praticar aquilo que os humanos podem chamar de banal, como dançar ou até mesmo repartir o pouco que têm.
É uma pena que essa somada a outras propostas originais e até mesmo brilhantes não sejam expressivas o suficiente quando a parte mais preguiçosa do roteiro se manifesta, armando coincidências aborrecidas (Gina, que é a primeira pessoa com quem a nave Dave estabelece o contato inicial, é ninguém menos que a mãe de Josh) ou investindo em personagens estereotipados, como o tolo policial interpretado por Scott Caan. Se Greenberg e Corbett soubessem elaborar esses momentos e figuras com mais empenho, a aventura renderia muito mais.
★★
Meet Dave
Direção de Brian Robbins
Assistido em DVD (Fox Film do Brasil)
Texto originalmente publicado em 23/12/2008

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