Resenha Crítica | O Melhor Amigo da Noiva (2008)

O Melhor Amigo da Noiva

A comédia romântica é um gênero que requer certa compreensão de seu espectador. Ainda que, assim como qualquer outro modelo de fita, sempre traga um exemplar que possibilite alguma originalidade, os romances gerados de situações cômicas oferecem uma maior quantidade de longas muitas vezes inspirados na velha fábula de Cinderela, no amor que cresce com o tempo, na aproximação ou na distância e na diferença de classes, entre outros argumentos.

Não importa o quanto uma trama se desvie de certas regras do gênero, pois o desfecho quase sempre nos confortará com o “felizes para sempre”, tendo o público que reservar paciência e encarar o que as produções têm de melhor para nos oferecer.

“O Melhor Amigo da Noiva” é uma obra deste padrão, mas é tão repugnante que se torna um horror. Mas não o horror traduzido em objetos cortantes, sangue ou coisa desta linha, mas, sim, aquele que toma forma e movimento através de um roteiro enfadonho.

Aqui, Patrick Dempsey é Tom, aquele modelo de homem bem-sucedido profissionalmente e que conquista e leva para a cama com facilidade a mulher que quiser. No início da projeção ficamos sabendo qual o primeiro instante em que ele conheceu Hannah (Michelle Monaghan, de “Beijos e Tiros”), que no presente é a sua melhor amiga e companheira para todas as horas.

Só que algo abala essa amizade. Ao Hannah viajar a trabalho para a Escócia, acaba por conhecer Colin McMurray (Kevin McKidd), a quem apresentará a Tom como seu noivo. Daí os ciúmes por parte do protagonista aparecem e aos poucos ele tentará convencer a sua parceira de rotina a não se casar. Mas as coisas complicam quando ele é convidado para ser a dama de honra no casamento de Hannah.

Com três responsáveis por esta coisa de premissa — Adam Sztykiel, Deborah Kaplan e Harry Elfont —, é vergonhoso constatar que “O Melhor Amigo da Noiva” extraia suas ideias principais daquela comédia romântica que foi uma das melhores fitas (ou a melhor) produzidas na década passada, “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, na cara dura. Assim como Julia Roberts, Dempsey descobre tarde demais que sua confidente é a mulher ideal para viver pelo resto da vida.

Mas Paul Weiland não transmite o mesmo carinho que P. J. Hogan tem pelo seu filme e pelos personagens com quem está lidando. Pelo contrário: o protagonista aqui é um sujeito mau-caráter rodeado de amigos nada carismáticos e que acredita que pode mostrar as suas virtudes em companhia destes disputando jogos com aquele que é o seu rival tanto em quadra e no campo quanto na conquista de uma mesma mulher.

O desfecho somos capazes de antecipar no primeiro ato e o caminho que percorremos até ele é tortuoso, mas nada consegue ser mais lamentável do que ter este “O Melhor Amigo da Noiva” como a última colaboração de Sydney Pollack como ator. Competente nesta função nos seus próprios longas (“A Intérprete”, “Tootsie”) como naqueles em que trabalhou com outros cineastas (“De Olhos Bem Fechados”, “Fora de Controle”), aqui Pollack é encarregado de lidar com o papel do pai de Tom.


Made of Honor
Direção de Paul Weiland
Assistido em DVD (Sony Pictures)
Texto originalmente publicado em 24/12/2008

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