Resenha Crítica | Quarentena (2008)

Quarentena

Todo mundo sabe que Hollywood é uma enorme fábrica de sonhos. Mas por muitas vezes essa indústria cinematográfica confecciona longas com conceitos nada originais. Se ideias novas não estão rendendo, que vá garantir sucesso com base em um material já apresentado com êxito, baixo custo e bom retorno do público.

É através deste pequeno exemplo que nos aproximamos de “Quarentena”, remake realizado com uma pequena distância de meses do lançamento de “[REC]“. E, ao julgar pelo seu resultado, chegamos à conclusão de que os americanos que movem o cinemão deveriam tomar vergonha na cara. Tudo o que foi mostrado no excelente longa conduzido em 2007 pelos diretores espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza é copiado da cabeça aos pés. O resultado pode até parecer o mesmo, mas definitivamente não é.

Vamos à trama: Angela Vidal (Jennifer Carpenter, de “O Exorcismo de Emily Rose”) é uma repórter que, junto com o cinegrafista Scott (Steve Harris, de “Minority Report – A Nova Lei”), cobrirá a rotina noturna de um Corpo de Bombeiros em Los Angeles. Ambos circulam pelos locais até que um pedido de emergência surge.

Ao chegar ao local onde os bombeiros devem iniciar a operação, acabam por entrar no apartamento de uma senhora coberta de sangue. Pensando que se trata de uma velha louca, assim como os vizinhos a julgaram, mal sabem que ela está com um vírus que, se transmitido para outra pessoa, os transformará em seres raivosos. O problema é que, ao todos se aproximarem da saída principal do edifício onde estão, a vigilância sanitária os deixará em quarentena.

Só aqueles que não viram o horror espanhol encontrarão algo para se entreter. E, como dito anteriormente, “Quarentena” tem uma estrutura idêntica à apresentada por Balagueró e Plaza em “[REC]”. Só que ao contrário da obra rodada em 2007 e que obteve um grande êxito mundialmente, “Quarentena” não traz desconforto algum – no bom sentido, claro. Nem Jennifer Carpenter, que apresentou um desempenho extraordinário em “O Exorcismo de Emily Rose”, tem o que fazer aqui, orientada pelo diretor John Erick Dowdle a imitar diálogos, expressões e sustos de Manuela Velasco, a protagonista da fita original.

Mas o pior de tudo é quando “Quarentena” quer se diferenciar um pouco de “[REC]”. Só para se ter uma ideia, chega um instante onde alguns personagens analisam que esta infecção se espalhou a partir de uma família de negros. O que era algo engraçado no original, que em certo momento apontava que esse vírus se originou de um casal de orientais, aqui vira puro preconceito.

Mas o destaque mesmo é quando Erick Dowdle faz com que o personagem Scott apareça para o público e que, pior ainda, se defenda usando a sua ferramenta de trabalho como proteção, “martelando” inúmeras vezes a câmera de forma subjetiva diretamente contra o rosto de um dos infectados. Que grosseria!


Quarantine
Direção de John Erick Dowdle
Assistido nos cinemas (Sony Pictures)
Texto originalmente publicado em 15/01/2009

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