Mais um Oscar de Melhor Filme assistido, mais um exemplo de um programa bem bacana que, com o passar do tempo, acabou sendo prejudicado pelo peso de carregar tal distinção.
Figurinha recorrente nesses listões de piores vencedores do maior prêmio do cinema, “As Aventuras de Tom Jones” nada mais é do que uma aventura romântica divertida que se beneficiou em um ano carente de clássicos americanos. Seu concorrente mais lembrado hoje em dia é “Cleópatra”, com o cinema internacional apresentando marcos muito maiores, como “8½”, “A Faca na Água” e “O Leopardo” – “Os Pássaros” e “O Indomado” não apareceram na categoria principal.
Posso estar tremendamente equivocado, mas acredito que o encanto na época por esse filme, que foi um tremendo sucesso comercial, se deu sobretudo pela inventividade da adaptação de Tony Richardson para o romance de Henry Fielding. O cineasta pegou a sua história de 1749 com intervenções bastante contemporâneas, das quebras de quarta parede ao narrador um tanto malicioso.
Sem contar também alguns truques de montagem, como a colagem de frames congelados ou a ação acelerada com propósitos cômicos.
Há também ao menos duas sequências que não entraram para a história à toa, sendo elas a da caça ao veado (que impressiona pelo trabalho sonoro e o habilidoso domínio de câmera) e o jantar entre Tom Jones e Jenny/Mrs. Waters (Joyce Redman), onde rola um flerte entre ambos sem qualquer etiqueta à mesa sendo respeitada.
No entanto, o principal destaque aqui acaba sendo o grande Albert Finney. O britânico ainda estava em seus primeiros anos como ator de cinema e incorpora o galã errante com um charme irresistível.
É um raro caso de protagonista que faz um arrastão nas mulheres e que, mesmo assim, compramos como o melhor pretendente para a mocinha vivida por Susannah York.
★★★
Tom Jones
Direção de Tony Richardson
Indisponível no streaming

Deixe um comentário