Em 1981, “Os Caçadores da Arca Perdida”, do veterano diretor Steven Spielberg, fez com que as aventuras hollywoodianas ganhassem um novo fôlego. Mesmo produzida há quase três décadas, a fita do arqueólogo Indiana Jones conseguiu que a magia de sua odisseia se repetisse nas suas sequências, assim como também serviu de inspiração para que outros cineastas armassem as suas histórias empregando efeitos especiais de ponta e muito bom humor.
Um desses realizadores foi o americano Stephen Sommers, que não é um grande profissional, mas fez com que “A Múmia” e “O Retorno da Múmia” fossem produções extremamente divertidas e de grande estima perante aqueles que têm “Indiana Jones” como uma de suas séries prediletas do cinema.
É lamentável que o diretor tenha transferido a sua cadeira de controle para Rob Cohen, responsável por um blockbuster que talvez seja o mais bocejante de toda a década: “Stealth – Ameaça Invisível”.
O início da terceira jornada da família O’Connell, que se dá antes dos créditos iniciais, é promissor. Em tom sério e de tirar o fôlego, o Imperador Dragão de Jet Li consulta a feiticeira Zi Juan (Michelle Yeoh), querendo arrancar dela a fórmula que o tornará um ser imortal.
Depois de Zi Juan se apaixonar por aquele que é o fiel soldado do monarca, uma reviravolta acontece e este, junto com todo o seu exército, transforma-se em estátuas.
Milênios depois, quando a tumba é descoberta por Alex O’Connell (Luke Ford), o encanto de uma hora para outra é desfeito. Resta a Rick (Brendan Fraser) e Evelyn O’Connell (a boa Maria Bello, numa personagem que se encaixava melhor quando incorporada pela insossa Rachel Weisz) ajudarem o filho em uma viagem para a China, após muitos anos fora de ação.
Com um orçamento bem exagerado, até que Cohen consegue criar sequências visualmente bonitas, como aquela passada em Xangai com carroças em grande movimento em meio à explosão de muitos fogos de artifício. Mas é de se estranhar que a grande maioria das cenas com adrenalina não consiga empolgar o público, especialmente a barulhenta batalha final.
Algo que também não ajuda são as muitas situações embaraçosas do roteiro escrito por Alfred Gough e Miles Millar, como as irritantes pausas para as reuniões familiares dos O’Connell. Isso fez com que essa segunda sequência da franquia, cujo primeiro episódio é uma adaptação de “A Múmia” de 1932 (estrelado por Boris Karloff), resulte em uma aventura frouxa.
E não será inserindo uma vaca em cena de pleno voo que tornará o longa cômico.
★★
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor
Direção de Rob Cohen
Assistido nos cinemas (Universal Pictures)
Texto originalmente publicado em 19/01/2009

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