Resenha Crítica | Há Tanto Tempo Que Te Amo (2008)

Há Tanto Tempo Que Te Amo

Kristin Scott Thomas está entre as melhores e mais belas atrizes em atividade. Mas esta extraordinária intérprete britânica, que confessa ter iniciado a sua carreira com o pé esquerdo (“Sob o Luar da Riviera”, dirigido por Prince, é o seu primeiro filme), parece ter as suas atuações ignoradas pela pouca repercussão que os seus trabalhos apresentam.

Essa falta de atenção se aplica ao seu desempenho em “Há Tanto Tempo Que Te Amo”, o melhor de sua trajetória. E isto, vindo de uma magnífica dama que esteve tão bem em “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “O Paciente Inglês”, “Assassinato em Gosford Park”, “De Bico Calado” ou “Tempo de Recomeçar”, definitivamente não é pouco.

Como Juliette Fontaine, Kristin Scott Thomas, antes considerada como nome certo entre as cinco indicadas ao Oscar 2009 na categoria de melhor atriz principal, deixa quase todas as concorrentes pela estatueta numa escala bem abaixo de sua magnitude.

Em seu primeiro longa-metragem, Philippe Claudel constrói uma história dolorosa. O centro são as irmãs Juliette (Scott Thomas) e Léa (Elsa Zylberstein, de “Modigliani – A Paixão pela Vida” e “A Pequena Jerusalém”). O prólogo já nos mostra o porquê de essas duas parentes se reencontrarem somente após um intervalo de quinze anos. É porque Juliette foi presa por cometer um crime do qual não deve se recuperar pelo resto de sua existência.

Vai uma dica: não procure por detalhes sobre o drama – a infração em questão leva um tempo a ser anunciada e ela acontece de forma impactante. Embora Léa e o seu marido, Luc (Serge Hazanavicius), já saibam sobre o ocorrido, constitui um enigma as razões que a levaram a tal ato.

Ainda assim, o casal hospeda Juliette em sua casa, mas com comportamentos suspeitos vindo de Luc. Juliette parece pagar ainda mais pelo que fez. Conquistar o seu espaço, tendo um emprego, amigos e um lar, será uma tarefa árdua por causa do seu passado.

Claudel insiste em manter oculta a informação que Léa sempre persegue sobre as motivações de sua irmã mais velha, mas “Há Tanto Tempo Que Te Amo” é uma obra sobre redenção. O ato que Juliette cometeu a princípio é imperdoável, só que o seu silêncio é justificável.

Não se pode deixar de destacar Elsa Zylberstein, que é um bom contrapeso para a protagonista. Enquanto Juliette é uma mulher mais deprimida, Léa completa a alma do filme e o equilibra, respondendo por várias explosões de sentimentos.

Sequências de partir o coração não faltam na projeção, especialmente na cena onde Juliette visita a sua mãe (participação de Claire Johnston) pela primeira vez após ganhar a liberdade, a qual perdeu a memória. O aniversário de Juliette e a participação desta em um repouso de final de semana com os amigos de Léa e Luc também são momentos marcantes.

Por mais que não seja totalmente extraordinário, por conta de o espectador conseguir antecipar o que acontecerá no último ato, “Há Tanto Tempo Que Te Amo” usa da redenção de Juliette como uma amostra de que sempre haverá uma oportunidade em nossa existência para um recomeço.

★★★★
Il y a longtemps que je t’aime
Direção de Philippe Claudel
Assistido em DVD (Mares Filmes + Paramount Pictures)
Texto originalmente publicado em 08/02/2009

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