Resenha Crítica | Vagina Dentada (2007)

Vagina Dentada

Filho do falecido pintor Roy Lichtenstein, Mitchell Lichtenstein investe em “Vagina Dentada” a sua primeira experiência como diretor de longa-metragem, após um longo período como ator em algumas produções (“O Banquete de Casamento”, de Ang Lee) e participações pequenas em seriados televisivos como “Miami Vice” e “Lei & Ordem”.

Já com um segundo longa concluído – que estreou na última semana no Festival de Berlim, “Happy Tears“ -, Lichtenstein havia confirmado o seu interesse em prosseguir com as aventuras da jovem Dawn O’Keefe, a personagem principal de “Vagina Dentada”, grande sensação na sua passagem pelo Festival de Sundance em 2007 e que ainda não tem previsão para lançamento no Brasil.

Dawn, interpretada pela excelente Jess Weixler (vencedora do prêmio especial do Júri de Sundance como melhor atriz dramática), é uma jovem estudante que constitui um dos elos principais de um grupo que prega a importância da pureza e o quanto ela deve ser mantida. Melhor dizendo: nada de relações sexuais.

Só que ela está naquela fase da adolescência onde se manter afastada do sexo oposto se torna algo insuportável. E a atração pelo seu colega Tobey (Hale Appleman) cresce a cada novo dia.

Só que ele não demonstra ser aquele homem doce que sempre esteve presente na imaginação da protagonista, rompendo os votos de castidade ao transar com Dawn sem o consentimento desta. Mas não é a tentativa de estupro que assusta a inocente garota e, sim, a dor e a perda de um certo membro de Tobey.

Logo Dawn desvenda que carrega uma condição conhecida como “Vagina Dentata”, que diz respeito a uma lenda de tribos indígenas sobre uma mulher com dentes na região genital. E só um homem ideal (ou herói, segundo o mito) pode livrar Dawn desta situação.

Este argumento que serviu para Lichtenstein desenvolver todo o roteiro, outrora usado com pouco destaque em outras fitas e obras literárias, não tem nada de trash. Mitchell Lichtenstein cria um filme repleto de tomadas silenciosas e faz desta anomalia de Dawn algo surpreendentemente crível, o que amplia os receios do espectador pelos primeiros sintomas da sexualidade dela.

Mas a película reserva o seu humor negro, especialmente nas cenas envolvendo as relações sexuais da protagonista. E o prestígio que Lichtenstein ganhou da crítica com este seu primeiro trabalho, o que muito deve ter influenciado no interesse de celebridades como Demi Moore, Parker Posey e Ellen Barkin no seu longa posterior, é mais do que merecido.

Inclusive, o público feminino tem muito o que comemorar com uma afirmação acertada da imprensa, declarando este como o autêntico sucessor de “Atração Fatal”. É claro que “Vagina Dentada” não é um filme sobre adultério, mas os homens, assim como no longa de Adrian Lyne, terão motivos o suficiente para deixarem os seus zíperes bem fechados.

★★★★
Teeth
Direção de Mitchell Lichtenstein
Indisponível no Brasil
Texto originalmente publicado em 15/02/2009

Deixe um comentário