Resenha Crítica | Golpe de Mestre (1973)

Golpe de Mestre

Muito engenhosa a forma como o diretor George Roy Hill é capaz de corresponder ao humor e ao perigo presentes no roteiro de David S. Ward, estabelecendo um filme sobre farsas no qual os protagonistas estão, a cada minuto, afrouxando a corda no pescoço com bastante malandragem.

Além do mais, é uma obra que tem um olhar diferenciado para os anos 1930, descartando muito do glamour que o cinema reproduzia naquela época a partir do registro desse universo de truques envolto em ambientes meio decadentes – a sequência de fuga de Robert Redford na estação de trem é uma personificação muito boa disso.

O curioso para mim ao acessar esse vencedor do Oscar pela primeira vez, no entanto, foi perceber um tom um tanto homoerótico na relação entre Redford e Paul Newman.

O longa claramente exalta a lealdade em uma amizade instantânea entre esses dois homens, um mestre e seu aprendiz, mas não há como descartar o total desinteresse afetivo que demonstram por outras mulheres no curso da história. E quando Redford improvisa algo com uma, a gente vê no clímax o que deu.

Observação: estou em choque ao consultar que “Golpe de Mestre” representa a única indicação que Robert Redford recebeu ao Oscar em toda a sua carreira como ator.

E apesar de achar que a fita “roubou” vários prêmios de “O Exorcista” (sobretudo o principal), considero um ultraje Newman e Robert Shaw sequer terem sido indicados como coadjuvantes.

★★★★
The Sting
Direção de George Roy Hill
Assistido em DVD (Universal Pictures)

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