Quando ainda era um diretor investigando gêneros de cinema – o terror psicológico em “Identidade”, a comédia romântica fantástica em “Kate & Leopold”, o policial em “Cop Land” –, James Mangold havia entregado uma cinebiografia musical muito satisfatória com “Johnny & June”, alicerçado sobretudo pela grande história de amor que aquele casal de músicos efetivamente viveu na realidade.
Quase vinte anos depois, a fórmula não se repete com sucesso para o diretor em seu “Um Completo Desconhecido”, sobretudo porque Bob Dylan não é o mais afável dos seres humanos ao ponto de nos importarmos com os relacionamentos que viveu em sua juventude com as moças interpretadas por Monica Barbaro (excelente) e Elle Fanning.
Restou aqui fazer o bê-á-bá tradicional do artista genial e incompreendido, que ascende como astro do folk e que é avesso ao sucesso que logo o abraça. É também sem novidade o desempenho de Timothée Chalamet: embora eu exalte o seu empenho em cantar tudo com a sua própria voz (e tudo bem, pois nem grande vocalista o Bob Dylan é), aquela velha armadilha da exposição se impõe aqui. O recurso causa uma confusão entre boa caracterização e um ator popular se esforçando para sumir na pele de uma figura real excêntrica.
E ao contrário do que fez Pablo Larraín com a sua trilogia de divas, Mangold nem consegue aqui criar um universo ficcional compartilhado, pois Joaquin Phoenix está velho demais para reviver Johnny Cash, aqui um mero acessório ambulante interpretado por Boyd Holbrook. Uma pena.
★★
A Complete Unknown
Direção de James Mangold
Disponível no Disney+

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