Ao contrário de muitos fãs que veneram alguns clássicos de terror, eu não tenho grandes problemas quando alguém toma a decisão de investir em sequências. No entanto, que isso seja feito por mentes criativas dispostas a levar as coisas para rumos diferentes, como aconteceu nas continuações de “O Exorcista” e “Psicose”, por exemplo.
Tendo mandado tão bem em “Você é o Próximo”, Adam Wingard forçou a amizade com esta sequência direta de “A Bruxa de Blair”. Embora tenha se guiado pelos elementos que tornaram o original um dos filmes mais assustadores já concebidos, o que ele nos entrega agora é uma produção de muito mau gosto.
Ambientado em 2014, o roteiro de Simon Barrett inventa que a Heather do filme de 1999 tinha um irmão e usa isso como pretexto para uma reunião de personagens insuportáveis, munidos de tecnologia do momento, como drone, câmeras de alta definição e portáteis acopladas em orelhas.
Apesar de agora os atores terem um texto para se pautar na confusão da floresta, tudo aqui parece mais improvisado do que curta universitário. Os personagens mostram-se capazes de dizer apenas que estão bem ou ficam pulando em frente às lentes para gerar jump scares.
No entanto, o ultraje maior é o ato final, que sugere alguns dados inéditos para a mitologia da Bruxa numa mistura indigesta de videogame, Slenderman e elementos estapafúrdios de espaço-tempo. O resultado faz até “O Livro das Sombras: Bruxa de Blair 2” ser um filme menos ruim do que realmente é.
★
Blair Witch
Dirigido por Adam Wingard
Assistido em DVD (Paris Filmes)

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