Há sete anos, quando as suas habilidades dramáticas como atriz eram reavaliadas com “As Golpistas”, seu primeiro projeto desde “Selena” (1997) no qual um desempenho seu recebia considerações muito sérias para uma temporada de premiações de cinema, Jennifer Lopez verbalizou o seu orgulho como uma representação central de mulher latina em comédias românticas.
A cantriz, nascida em Nova York e filha de porto-riquenhos, de fato experimentou uma série de sucessos comerciais no gênero, com inclusões iniciadas em 2001 com “O Casamento dos Meus Sonhos”, filme com Matthew McConaughey que custou 35 milhões de dólares e que mundialmente faturou o triplo.
No entanto, “Paixão de Escritório” definitivamente não é um bom passo a seguir para a reputação de sua filmografia após um último ano no qual foi injustiçada com o musical “O Beijo da Mulher Aranha”. O dano, no entanto, será mínimo, uma vez que a produção corresponde ao algoritmo de sucesso da Netflix, plataforma para a qual foi originada, alegrando os usuários que a colocaram como a obra mais assistida em um sem-número de países desde o último fim de semana.
Há uma série de escolhas dissonantes aqui. As principais começam justamente com as escalações de Jennifer Lopez e Brett Goldstein como o casal protagonista. O roteiro, coescrito pelo comediante britânico, está cheio de escolhas politicamente incorretas. De um lado, J.Lo, que completará cinquenta e sete anos em julho, não parece muito confortável em corresponder aos movimentos mais vulgares da história. Do outro, Goldstein definitivamente não tem o perfil para viver um herói romântico.
Na velha premissa na qual decisões antiéticas são tomadas a partir de um relacionamento amoroso entre colegas em uma organização que estabelece proibições muito claras quanto a essas conexões em seu regulamento interno, “Paixão de Escritório” só não naufraga porque existe aquela típica personagem coadjuvante que rouba a cena sendo a principal assistente e melhor amiga da protagonista. Queridinha no seriado “GLOW” (onde foi indicada ao Emmy por três anos consecutivos), Betty Gilpin está hilária como a gestante workaholic que não quer nem saber da licença-maternidade.
★★
Office Romance
Dirigido por Ol Parker
Disponível na Netflix

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