Resenha Crítica | Guerra Civil (2024)

Guerra Civil

Ao contrário de muitos roteiristas que desfazem a parceria com cineastas conceituados para dar os seus próprios passos também atrás das câmeras, Alex Garland está se saindo bem na missão. Além de trabalhar com diferentes temáticas, ele mostra que é capaz de criar excelentes ambientações e controlar as tensões nelas presentes.

A sua visão de uma guerra civil contemporânea não foi uma unanimidade. No entanto, agrada a escolha em não estabelecer logo de cara a distopia que iremos enfrentar por duas horas. O diretor elabora um road movie em que cada parada exibe grupos com as mais variadas motivações para dormir e acordar com armas em mãos.

Outra escolha acertada é a de privilegiar a perspectiva da imprensa para a cobertura dos conflitos. Isso funciona sobretudo porque tais representantes nada podem fazer para alterar o curso daqueles eventos. O foco exclusivo da equipe reside em fazer registros fotográficos, em vídeo ou coletar aspas.

No entanto, surge aqui o mesmo problema identificado em todos os trabalhos prévios de Alex Garland como diretor: ele não sabe elaborar boas conclusões. A narrativa coloca muita coisa em jogo nos minutos finais — quando não segundos, a exemplo de “Aniquilação”.

No fim das contas, a personagem de Cailee Spaeny poderia simplesmente não existir. Fica claro que o seu propósito em cena serve apenas para o roteiro jogar justificativas óbvias que não precisávamos. Além disso, a sua presença arruína o protagonismo de Kirsten Dunst, dona de uma figura infinitamente melhor na trama.

★★★
Civil War
Dirigido por Alex Garland
Disponível no Prime Video

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