Todo ano há ao menos um título a ser lembrado como aquele que tem um policial como protagonista de uma ação cercada de outros policiais de má-índole. São figuras geralmente envolvidas com corrupção e em casos para lá de obscuros.
Se no ano passado a obra perfeita a se encaixar nessa descrição foi “Os Reis da Rua”, entre os lançamentos recentes que conseguem o posto de representante dessa narrativa padrão está “Força Policial”. Infelizmente, a falta de qualidade também é a mesma.
Ray Tierney (Edward Norton) é um policial que parece ter preferido desde a infância seguir essa difícil profissão por influências familiares. Afinal, o seu pai (Jon Voight), o seu irmão (Noah Emmerich) e o marido (Colin Farrell) da sua irmã (Jennifer Ehle, que infelizmente aparece pouco) também integram a corporação.
Só que um caso envolvendo o perigoso traficante de drogas Angel Tezo (Ramon Rodriguez) abala bastante essa dinastia. Quando quatro agentes da equipe do personagem de Noah Emmerich são assassinados, as investigações de Ray começam a apontar que o seu cunhado é um dos vários suspeitos do massacre. Vale lembrar que Ray estava afastado de missões de risco desde que um evento passado destruiu o seu casamento.
O diretor de “Livre Para Amar”, Gavin O’Connor, até que tentou desenvolver com Joe Carnahan um argumento digno ao inserir na trama essa família de fardados. O seu trabalho de direção é competente até a metade, destacando-se nele o empenho ao criar planos sem cortes.
Mas tudo desmorona quando todas as informações necessárias para manter algum mistério na trama são jogadas para o conhecimento do público antes mesmo de Ray ter acesso a elas.
Que o universo narrado no longa é sórdido por natureza, todo mundo sabe. “Orgulho e Glória”, tradução do nome original da produção, parece funcionar como ironia, pois são essas as virtudes que os personagens provavelmente não carregam em suas consciências.
Só que não precisavam exagerar a dose na violência para captarmos isso. Se os rumos finais do filme não chegam a irritar, podemos ao menos defini-los como risíveis. É o caso do patético confronto físico entre os personagens de Norton e Farrell, além de algumas coincidências e atitudes absurdas que colaboram apenas para inflar a tragédia.
★★
Pride and Glory
Dirigido por Gavin O’Connor
Assistido em DVD (PlayArte)
Texto originalmente publicado em 19/06/2009

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