Vindo do universo dos videoclipes, David Fincher é hoje um dos diretores mais respeitados em atividade em Hollywood. É um profissional que se preocupa com cada detalhe de suas películas e mantém o hábito de ser grandioso e radical.
Essas virtudes o fazem ser destacado por muitos cinéfilos como o melhor diretor em atividade, ou o mais subestimado diante de sua falta de popularidade com o grande público. A verdade é que não se trata de um diretor extraordinário.
Ele acerta ao investir em trabalhos mais modestos e sem grandes pretensões, como “Se7en” (o seu melhor filme) e “O Quarto do Pânico”. Os outros projetos, no entanto, agregam várias imperfeições, ainda que “Clube da Luta” seja prestigiado como um dos grandes cults do cinema moderno.
Um conto de F. Scott Fitzgerald serve como base para “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O personagem-título (Brad Pitt, em fraca performance indicada ao Oscar) foi abandonado logo após o parto.
O motivo do abandono está relacionado à morte de sua mãe após dar à luz e à sua aparência peculiar, que se assemelha à de um idoso. A bem-intencionada Queenie (Taraji P. Henson, também indicada ao prêmio da Academia pela interpretação), que o encontra nas escadarias do local onde mora, acaba adotando-o e o cria como se fosse o seu próprio filho.
Queenie imagina que serão poucos os dias de vida do bebê. Porém, ele cresce de uma forma misteriosa: o protagonista rejuvenesce fisicamente, abandonando a sua fisionomia envelhecida com o passar dos anos.
Toda essa história se desenvolve em forma de flashbacks. A estrutura acompanha Caroline (Julia Ormond, lamentavelmente desperdiçada) lendo o diário de Benjamin Button a pedido de sua mãe, Daisy (Cate Blanchett, deslumbrante), que está à beira da morte em um hospital.
Somando ao todo treze indicações na última edição do Oscar, inclusive nas categorias de melhor diretor e melhor filme, o drama conquistou somente as estatuetas de Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Especiais. São categorias técnicas que de fato impressionam quem assiste à obra.
É exatamente aí que a produção encontra os seus limites. Trata-se de um cinema grandioso, repleto de mínimos detalhes, mas não verdadeiramente emocionante.
Com esta história mágica, David Fincher poderia ter realizado um longa belo sobre a celebração da vida humana. Estão lá todos aqueles elementos que sempre cercam cada um de nós, especialmente o amor como o maior trunfo e a morte como a maior tristeza em toda uma existência. Mas tais sentimentos acabam neutralizados por causa de uma condução pouco carinhosa para com a narrativa.
★★★
The Curious Case of Benjamin Button
Dirigido por David Fincher
Assistido em DVD (Warner Bros)
Texto originalmente publicado em 05/07/2009

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