Henry Selick orquestrou aquela que é considerada uma das melhores animações em longa-metragem já realizadas, “O Estranho Mundo de Jack”. Seu projeto posterior, “Coraline e o Mundo Secreto”, é uma realização em stop-motion (lançada em alguns cinemas no recurso 3D) e apresenta uma interessante atmosfera gótica.
O visual remete bastante ao argumento de Tim Burton sobre Jack Skellington. É um belo atrativo, mas a obra infelizmente carrega um sério problema de ritmo.
Baseada em um livro do britânico Neil Gaiman, a história destaca a monotonia de Coraline (voz de Dakota Fanning) em seu novo lar. Ela não tem amigos na vizinhança, não encontra nada para se distrair e os seus pais (vozes de Teri Hatcher e John Hodgman), ambos escritores, não lhe dão a devida atenção na rotina.
Explorando cada cômodo do enorme casarão que agora habita, a protagonista encontra um minúsculo portal secreto. A passagem a transfere para um intrigante mundo paralelo.
A diferença em relação à realidade, até o primeiro momento, surge na fisionomia de seu pai e de sua mãe. Nesse novo plano, os familiares são bem mais dóceis do que no mundo real, mas trazem botões costurados no lugar dos olhos.
Essas idas e vindas da realidade para a fantasia fazem com que “Coraline e o Mundo Secreto” se torne uma aventura sombria pouco envolvente em sua primeira metade. O filme só toma pique na sua última meia hora de metragem, quando as situações ficam de fato aterradoras e vibrantes na tela.
É exatamente nesse instante que o trabalho de Selick se sobressai, especialmente no que diz respeito ao apuro visual dos cenários e bonecos.
Conta pontos também a moral presente no desfecho da narrativa, que aborda a aceitação das pessoas diante de suas imperfeições diárias. Trata-se de um tema adulto que pode ser facilmente processado pelas crianças. É essa maturidade que faz a animação acabar valendo a pena, apesar dos pesares.
★★
Coraline
Dirigido por Henry Selick
Assistido em DVD (Universal Pictures)
Texto originalmente publicado em 18/07/2009

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