Famosa mundialmente pelo seu descolado texto de “Juno”, vencedor do Oscar de melhor roteiro original, Diablo Cody virou um dos nomes mais comentados nos últimos anos.
Afinal, a jovem americana traçou rumos bem diferentes antes de se envolver com a escrita de roteiros para cinema e TV. Ela assina, inclusive, os episódios de “United States of Tara”, seriado que traz Toni Collette como protagonista.
Em “Garota Infernal”, um terror independente registrado como o seu segundo script para as telas, a voluptuosa Jennifer (Megan Fox) é a melhor amiga de Needy (Amanda Seyfried). Esta última representa o perfeito estereótipo de nerd mal arrumada.
Mesmo que essas jovens nada tenham a ver uma com a outra, elas sempre estão juntas. A amizade ganha contornos dramáticos em um momento crucial para a mudança da rotina pacata que elas levavam.
Jennifer é seduzida pelo vocalista de um grupo emo (Adam Brody), caindo direitinho como oferenda de um ritual satânico, já que a banda busca o sucesso absoluto na indústria musical. O problema é que, para o sacrifício ser bem-sucedido, era necessária uma jovem virgem.
Como a protagonista certamente não se encaixa nesse perfil, o pacto dá errado. Ela retorna ao colégio possuída por um demônio, em busca de garotos para devorar. Literalmente. Caso ela resista a essa tentação violenta, a sua aparência jovem começa a definhar e a ficar envelhecida.
Diablo Cody, que aparentemente é bem antenada no universo teen, faz o possível para tornar o projeto um filme tão autêntico e cultuado quanto seu trabalho anterior. Com isso, contou com os auxílios da diretora Karyn Kusama, que já havia se mostrado imaginativa nas sequências de ação da adaptação de “Æon Flux”.
O resultado, mesmo assim, não passa de uma óbvia reciclagem dos atraentes elementos de “Possuída”, produção do ano 2000 comandada por John Fawcett no Canadá. A dinâmica entre as amigas Jennifer e Needy é praticamente a mesma vista entre as irmãs Fitzgerald na obra canadense.
Até os créditos finais do longa-metragem, com uma montagem realizada através de capturas de imagens estáticas, imitam a sequência de abertura da fita que se inspira em lendas de lobisomens. Desse jeito, a fita mal vai valer o ingresso até mesmo para aqueles que desejam apenas ver Megan Fox se insinuando de forma apelativa na tela.
★★
Jennifer’s Body
Dirigido por Karyn Kusama
Assistido em DVD (Fox Film do Brasil)
Texto originalmente publicado em 09/01/2010

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