Marido, pai e o nome responsável pela revolução do movimento grunge. A pessoa dona dessas características e muitas outras mais era Kurt Cobain. Fica difícil imaginar o porquê de o próprio cantor e compositor chegar ao ponto de cometer suicídio quando, aparentemente, tinha o mundo inteiro aos seus pés.
Porém, o documentário “Kurt Cobain – Retrato de Uma Ausência” nos faz compreender que o verdadeiro tormento de Kurt era ele mesmo.
Dirigido por AJ Schnack, o longa-metragem se move a partir de uma longa entrevista cedida pelo próprio líder do Nirvana para o jornalista Michael Azerrad, realizada um ano antes de sua morte. Na conversa, marcada por gravações em áudio registradas em dias diferentes, Cobain relembra a sua trajetória desde a infância.
Nos anos escolares, ele recorda quando um professor o incentivou a investir em suas habilidades artísticas. A seguir, o enredo aborda a pós-adolescência marcada por empregos informais, pequenos shows, o envolvimento com drogas e suas profundas lamentações particulares.
Ao contrário do que é visto em muitos documentários acerca de grandes nomes da música global, “Kurt Cobain – Retrato de Uma Ausência” adota uma postura totalmente alternativa em sua montagem. Com exceção dos créditos finais, nunca vemos o rosto do artista ou imagens de arquivo de sua banda.
Tudo em cena é representado por registros contemplativos de lugares e pessoas de Aberdeen, Olympia e Seattle, cidades onde o músico viveu. Já as canções clássicas são raras de serem apreciadas. O público ouve mais o trabalho instrumental de Benjamin Gibbard e Steve Fisk, o que surge como o maior pecado do projeto.
Ainda assim, há um mérito inegável no registro histórico. Mesmo com um desfecho que resulta em dúvidas para muitos fãs até hoje, a entrevista deixa claro que por trás de toda a fama barulhenta havia um jovem com uma vida vazia, por razões que somente ele seria capaz de justificar.
★★★
Kurt Cobain: About a Son
Dirigido por AJ Schnack
Indisponível no Brasil
Texto originalmente publicado em 05/02/2010

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