Resenha Crítica | Um Olhar do Paraíso (2009)

Um Olhar do Paraíso

Filmando e lançando cada um dos três longos episódios que compõem a trilogia “O Senhor dos Anéis”, e com a atualização de “King Kong” (o seu projeto mais pessoal) se tornando realidade, “Um Olhar do Paraíso” foi citado durante muito tempo como um dos projetos futuros de Peter Jackson.

Com isso, a adaptação do livro “Uma Vida Interrompida”, da escritora Alice Sebold, tornou-se um projeto cercado por imensas expectativas. Afinal, Jackson, além de se consagrar com os títulos mais indispensáveis da década passada, foi laureado com a estatueta de Melhor Diretor por “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”.

A narrativa se empenha em acompanhar a pequena Susie Salmon (Saoirse Ronan, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Desejo e Reparação”) após o seu brutal assassinato. É no plano espiritual onde Susie vê os desdobramentos das investigações sem resultados na procura pelo seu corpo. O psicopata que a matou, George Harvey (Stanley Tucci), nada mais é do que o pacífico vizinho da casa ao lado.

Porém, o maior interesse da menina está focado no choque que o seu desaparecimento provocou em seu pai Jack (Mark Wahlberg, substituindo Ryan Gosling), sua mãe Abigail (Rachel Weisz), sua avó Lynn (Susan Sarandon) e seus irmãos Buckley e Lindsey (Christian Thomas Ashdale e Rose McIver).

Pode-se afirmar que acompanhar as reações é a única pretensão do cineasta. O seu “Um Olhar do Paraíso” se mostra dramaticamente pobre, especialmente na economia e superficialidade que usa para retratar o luto da família Salmon.

O drama atinge o cúmulo da bizarrice quando, de uma hora para outra, a matriarca encarnada com a inexpressividade de praxe de Rachel Weisz decide abandonar o lar. Já grande parte do orçamento de sessenta e cinco milhões de dólares provavelmente foi investida em efeitos visuais para o paraíso imaginável de Susie. O resultado na tela se mostra ainda mais limitado e cafona do que o visto em “Amor Além da Vida”.

Ao menos há um acerto que não deve passar em branco: a extraordinária interpretação de Stanley Tucci. O ator, que revelou que seus filhos nunca assistirão ao longa por causa de seu personagem, cria o perfil de uma pessoa fria ao ponto de provocar arrepios em todas as suas cenas. No entanto, nem o intérprete é poupado do constrangimento geral, sendo vítima de um desfecho burlesco no ato final.

★★
The Lovely Bones
Dirigido por Peter Jackson
Assistido em DVD (Paramount Pictures)
Texto originalmente publicado em 19/01/2010

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