Assim como Sam Raimi, Michael Bay possui uma tática parecida de trabalho como produtor. Seguindo praticamente à risca o diretor da série “Homem-Aranha”, Bay investe o dinheiro que lucra por conta do sucesso dos seus blockbusters para produzir modestas fitas de horror.
O seu primeiro momento como produtor dentro do gênero foi com a ótima refilmagem de “O Massacre da Serra Elétrica”. Com o sucesso, seguiram-se “Horror em Amityville”, “O Massacre da Serra Elétrica: O Início”, “A Morte Pede Carona”, “The Horseman” (com Dennis Quaid e Zhang Ziyi) e “Alma Perdida”.
Há também “Sexta-feira 13” e “A Nightmare on Elm Street” (em fase de pós-produção), mas vamos nos concentrar na projeção de David S. Goyer, o seu quarto trabalho como diretor.
Nele, Casey Beldon (Odette Yustman, de “Cloverfield: Monstro”) é uma jovem cuja mãe Janet (ponta de Carla Gugino) se suicidou quando ela ainda tinha sete anos. Sem qualquer preocupação na construção da personagem, o horror se instaura nos primeiros minutos. Sem mais nem menos, ela presencia fenômenos e informações do passado, especificamente, na Segunda Guerra Mundial.
Olha só: ela estranha a coloração dos seus próprios olhos, descobre que tinha um irmão gêmeo morto antes de dar à luz e que sua mãe foi vítima de uma maldição desde sua nascença. Além de tudo isso, Casey terá que convencer o padre Sendak (Gary Oldman, coitado!) a realizar uma sessão de exorcismo para salvar a sua própria vida.
A garota é tão desesperada e preocupada que parece nem ligar quando a sua melhor amiga Romy (Meagan Good) e o seu namorado Mark (Cam Gigandet, que interpretou o vilão James de “Crepúsculo”) colocam as próprias vidas em jogo para ajudá-la.
Daria para dar um desconto se a escalação de elenco não fosse tão atrapalhada e David S. Goyer fosse mais imaginativo na missão sagrada de apavorar a plateia — o que não acontece. Mesmo sendo um produto original, o que reverte um pouco todo o esquema da Platinum Dunes (na maioria das vezes a produtora investiu em refilmagens), a obra é uma montagem vergonhosa de ideias tiradas de outras produções.
Quando se veem seres assombrosos não há como não pensar em “O Exorcista”, embora, de tão contorcionistas, pareçam integrantes do famoso Cirque du Soleil. Mas não dá para esperar muito do sujeito cujo maior feito é a sua colaboração no roteiro de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”…
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The Unborn
Dirigido por David S. Goyer
Assistido em DVD (Universal Pictures)
Texto originalmente publicado em 21/07/2009

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