Assim como Joe Dante fez em “Piranha”, o produtor italiano Dino De Laurentiis deu ordem de produção imediata para o seu “Orca: A Baleia Assassina” assim que testemunhou o sucesso estrondoso de “Tubarão”. Naquela obra, Spielberg fez rios de dinheiro desenhando um modelo de como comercializar um blockbuster que ainda é colocado em prática atualmente.
Para camuflar o pastiche, temos aqui nomes de primeiro time para a criação de um novo terror vindo do mar. Além do comando de Michael Anderson (que dirigiu o vencedor do Oscar “A Volta ao Mundo em 80 Dias”), temos um roteiro de Luciano Vincenzoni bastante pautado em pesquisas, com revisões não creditadas de Robert Towne. A dupla de protagonistas é defendida por Richard Harris e a musa Charlotte Rampling.
Para uma produção que logo completará 50 anos de vida, “Orca: A Baleia Assassina” é até bem produzido. A criatura, mesmo sendo muito fofa na realidade, consegue amedrontar em seus ataques na tela.
No entanto, o mais fascinante é que, por mais absurdo que tudo pareça, a gente de fato consegue testemunhar um monstro humanizado. O animal busca vingança após ter a sua companheira prenha morta acidentalmente pelo caçador interpretado por Harris.
Essa premissa, que curiosamente seria revista anos depois no risível “Tubarão 4”, só não é reproduzida da melhor forma porque falta muita sutileza na condução, que verbaliza demais o que cairia muito bem como analogias silenciosas. Trata-se de um recurso que foi muito bem feito por Joe Carnahan em “A Perseguição”, por exemplo.
De qualquer modo, diria que o projeto merece uma consideração por ir com a proposta até as últimas consequências, entregando uma conclusão surpreendentemente fatalista para o núcleo humano envolvido na caçada.
★★★
Orca
Dirigido por Michael Anderson
Assistido na Darkflix

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