Resenha Crítica | Cidade das Sombras (1998)

Cidade das Sombras

Em tempos mais recentes, Alex Proyas foi bastante vocal sobre como a Warner Bros. sabotou as possibilidades comerciais de “Cidade das Sombras”. O cineasta inclusive alegou que o estúdio teria assegurado acesso prévio ao seu material bruto às irmãs Wachowski e que estas teriam tomado muitas notas para o que, no ano seguinte, se transformaria no roteiro de “Matrix”.

De fato, há algumas semelhanças entre esses dois longas com os seus mundos ilusórios, mas nada que cause muitas distrações para quem nunca teve acesso ao cult de Proyas, que inclusive teve a chance de lançar a sua versão do diretor posteriormente.

Ainda que a passagem do tempo tenha datado por demais alguns elementos da concepção digital da sua cidade, em tempos nos quais a computação gráfica ainda era uma novidade muito recente, “Cidade das Sombras” sobrevive muito bem esteticamente.

A projeção proporciona uma experiência realmente bela em um lugar onde simplesmente não existe o dia. A iluminação de tom noir é assinada pelo polonês Dariusz Wolski, profissional com quem Ridley Scott trabalhou muitas vezes nos últimos anos.

É uma pena que a complexidade do conceito apresentado impeça que a produção consiga respirar dramaturgicamente.

De 10 em 10 minutos, ficamos estagnados em alguma situação que explique a trama para o protagonista sem memória. Esse recurso acaba limitando para o espectador o mergulho noite adentro nos incríveis cenários que se movem quando todos os habitantes são congelados exatamente à meia-noite.

★★★
Dark City
Dirigido por Alex Proyas
Assistido em VHS(Warner Bros)

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