Resenha Crítica | Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada (2007)

Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada

Peter Hedges só veio a dirigir o seu primeiro longa-metragem em 2003, com a fita “Do Jeito Que Ela É”. Antes desse momento, assinou os scripts de “Um Grande Garoto” (pelo qual foi indicado ao Oscar), “O Mapa do Mundo” e “Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador”.

Todos esses títulos revelam algo muito parecido com o posterior “Eu, Meu Irmão e a Nossa Namorada”, que Hedges escreve e dirige. A história é envolta em uma estrutura familiar repleta de abalos.

A projeção, que traz uma química especial entre Steve Carell e Juliette Binoche, está longe de alcançar toda a emoção do seu trabalho anterior (que contava com Patricia Clarkson e Katie Holmes interpretando, respectivamente, mãe e filha que nunca tiveram uma relação afetuosa (no citado drama de 2003), mas alcança pontos elevados graças à sua simpatia e ternura.

Steve Carell expande a sua versatilidade incorporando Dan Burns. Ele é um sujeito que escreve uma coluna de autoajuda bem-sucedida para um jornal, mas tem os seus problemas pessoais bem delicados para tentar resolver.

Tornou-se viúvo e cria sozinho as três filhas que herdou dessa união, todas bem jovens (interpretadas por Alison Pill, que já havia trabalhado com Hedges, Brittany Robertson e Marleen Lawston). Em um dado instante, vem o convite para todos passarem um final de semana na casa dos pais de Dan (John Mahoney e Dianne Wiest).

Será nessa pausa com toda a família que ele passará por crises emocionais a partir de uma coincidência: ele sente uma atração repentina por uma estranha (Juliette Binoche). Para a sua surpresa, a mulher logo é apresentada pelo seu irmão (Dane Cook) como Marie, a sua namorada. Mesmo sabendo desse compromisso acontecendo entre Marie e seu irmão, Dan será capaz de evitar os sentimentos por ela que crescem a cada minuto?

Enquanto acompanhamos o enredo para ver no que isso vai dar, Peter Hedges preenche a narrativa com muitos personagens. Mas isso não chega a ser um problema.

Na verdade, quando vemos todo o elenco em cena junto, seja fazendo exercícios físicos, apresentando quadros com base na própria criatividade ou mesmo na sala de estar conversando enquanto aproveitam uma boa refeição, a obra atinge os seus melhores momentos. O recurso faz com que o espectador pareça estar por dentro de todos aqueles entretenimentos familiares.

Notem a alegria que a produção consegue transmitir quando John Mahoney e Dianne Wiest estão armando um número cômico, e a certa melancolia posterior a essa cena na qual Steve Carell canta a infalível “Let My Love Open the Door”.

Não há dúvidas de que Peter Hedges é um talento nato analisando todos os seus trabalhos. Seus textos às vezes apresentam personagens amargurados ou que enfrentam uma fase triste em suas vidas, mas conquistam qualquer espectador com a simplicidade e o carinho com que ele conduz as suas criações para as telas.

★★★
Dan in Real Life
Dirigido por Peter Hedges
Assistido em DVD (Europa Filmes)
Texto originalmente publicado em 29/06/2009

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