Resenha Crítica | Segredos Íntimos (2007)

Segredos Íntimos

“Segredos Íntimos”, do diretor israelense Avi Nesher, é um novo registro cinematográfico da vida sufocante que as mulheres levam diante dos costumes da religião à qual pertencem.

Afinal, o roteiro de Hadar Galron e também de Nesher destaca duas personagens de condutas e sentimentos que não condizem com aquelas impostas pelas suas famílias, que as pressionam de todas as formas para se casarem.

Elas são Naomi e Michelle (respectivamente Ania Bukstein e Michal Shtamler). A primeira acaba de perder a mãe e pede ao seu pai que possa adiar o casamento já planejado, pois tem o interesse de mergulhar nos ensinamentos judaicos em uma escola em Safed.

É lá que Naomi se envolve com Michelle, vinda de uma família afortunada e que se apresenta como uma garota bem rebelde. A princípio ambas não apresentam qualquer sintonia, mas se tornam amigas íntimas ao ajudar Anouk (Fanny Ardant), uma francesa cristã em delicado estado de saúde que oculta um passado obscuro.

A amizade se intensifica enquanto submetem Anouk a um ritual de purificação permitido somente aos judeus. Em direção ao mesmo tempo suave e audaciosa, Nesher trabalha muito bem a relação entre essas três mulheres, especialmente na relação lésbica que acontece entre Naomi e Michelle.

Esse turbilhão de emoções abre espaço para que o espectador possa se conectar com a história e analisar os rumos que ela leva, por vezes devastadores.

Com isso, a fita se torna mais um título interessante que, mesmo com a distribuição limitada, compensa aqueles que o procurarem. À distância, a projeção se assemelha com a proposta do também exibido “Alguém que Me Ame de Verdade“, mas com resultados bem superiores na tela.

★★★
Ha-Sodot
Dirigido por Avi Nesher
Assistido em DVD (Paris Filmes)
Texto originalmente publicado em 29/07/2009

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