O cinema volta a visitar aquela situação romântica na qual dois estranhos se conhecem e se apaixonam durante um amplo dia de caminhada e bate-papo em uma metrópole repleta de cartões-postais.
A fórmula, que alcançou o seu ápice com “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr do Sol”, é repetida em “Tinha Que Ser Você”. Mas com um casal bem mais maduro do que aquele interpretado por Ethan Hawke e Julie Delpy.
Dustin Hoffman e Emma Thompson, que tiveram as suas performances indicadas na última edição do Globo de Ouro, dividem a tela depois de aparecerem como coadjuvantes de “Mais Estranho que a Ficção”.
Harvey Shine (Hoffman) é um compositor frustrado que vai para Londres rever a sua filha Susan (Liane Balaban), que se casará. Ele também terá que suportar a presença de sua ex-mulher Jean (Kathy Baker).
Mas o pior será tolerar a escolha de sua filha Susan, que selecionou o seu padrasto Brian (James Brolin) para levá-la ao altar. É parando para lamentar a sua situação atual que ele conhece Kate Walker (Emma Thompson), que antes havia visto rapidamente no aeroporto do país e a tratado com grosseria por conta de uma pesquisa que precisava realizar.
Mas ambos se entendem e compartilham os mesmos problemas, especialmente os amorosos.
Consagrados no passado, Dustin e Emma continuam mantendo a qualidade tanto nas escolhas de seus papéis quanto nas interpretações. No entanto, os anos foram cruéis com eles, dando poucas oportunidades de terem os seus nomes à frente de uma produção.
Só o fato de serem os protagonistas de “Tinha Que Ser Você” já é o suficiente para curtir a saborosa relação de seus personagens. É lamentável, entretanto, que o diretor e roteirista Joel Hopkins, pouco experiente em ambos os ofícios, não valorize esse encontro como deveria.
Por quê? A razão está em diversos problemas de percurso que poderiam ser evitados, como todas as situações envolvendo a personagem de Eileen Atkins (que interpreta a mãe de Kate) e até mesmo um inconvincente problema de saúde que abate um dos personagens, surgindo para prejudicar o reencontro do casal.
Há também o morno desfecho. O projeto tem o seu charme e bons momentos dramáticos. Só que a sensação que fica é de que esse casal admirável de se acompanhar merecia uma obra à altura de seu encanto.
★★★
Last Chance Harvey
Dirigido por Joel Hopkins
Assistido em DVD (Imagem Filmes)
Texto originalmente publicado em 01/10/2009

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