Diretor de 46 anos, o norueguês Tommy Wirkola se notabilizou em 2009 ao dirigir “Zumbis na Neve”, aquele tipo de terror cômico que rapidamente se transforma em obra de culto por espectadores estrangeiros sedentos por narrativas pitorescas e bastante gráficas em sua violência.
É daqueles casos de realizadores que geralmente não renovam as suas fórmulas enquanto elas lhe asseguram sucesso, e “Noite Infeliz” se apresenta como uma variação do que Wirkola já entregou no passado, mas com um resultado menos inspirado.
Aprisionado no alcoolismo e no enfado, o Papai Noel de David Harbour é um daqueles que cumprem o expediente de fim de ano sem acreditar mais na magia natalina. Ele distribui presentes para crianças que se comportaram com o mesmo entusiasmo de um carteiro em dia chuvoso.
Mas ele recobrará o seu valor como figura mística ao ver que a sua próxima destinatária, a menina Trudy Lightstone (Leah Brady), está em risco. A milionária Gertrude (Beverly D’Angelo, a melhor coisa do filme) é cercada por filhos interesseiros (interpretados por Alex Hassell e Edi Patterson) e por uma forte equipe de segurança.
Esta equipe não é capaz de impedir a invasão de Scrooge (John Leguizamo), sujeito que quer ter acesso ao cofre em que a chefe de família guarda uma fortuna em dinheiro vivo. Preso no sótão, o Papai Noel testemunha a movimentação suspeita em toda a propriedade e decide agir para proteger sobretudo Trudy.
Tommy Wirkola teve os melhores momentos de sua carreira em dois filmes protagonizados por Noomi Rapace: “Onde Está Segunda?”, no qual a intérprete de Lisbeth Salander se desdobra em nada menos que sete papéis, e “The Trip”, que fez sucesso na Netflix durante o isolamento social imposto pela pandemia.
Em “Noite Infeliz”, é perceptível uma maior interferência de produtores americanos, assim como ocorreu no tolinho “João e Maria: Caçadores de Bruxas”. Apesar de alguns instantes verdadeiramente inspirados, como naquele em que Trudy cita descaradamente “Esqueceram de Mim” ao fazer as suas armadilhas com classificação 18 anos, o filme é de digestão pesada.
A obra beira as duas horas de duração e, por vezes, é muito refém da persona que David Harbour criou diante do público a partir do fenômeno de “Stranger Things”, repetindo o tipo “ursão” de bom coração e que se acha muito engraçado, já visto em “Hellboy” e “Viúva Negra”.
★★
Violent Night
Dirigido por Tommy Wirkola
Assistido nos cinemas (Universal Pictures)
Texto originalmente publicado em 06/12/2022

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