Resenha Crítica | Guerra ao Terror (2008)

Guerra ao Terror

Assim como aconteceu com os títulos mais recentes da filmografia da diretora Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror” passou meio despercebido diante dos olhos do público.

Evidência disso está no descaso cometido pela distribuidora Imagem Filmes no início de 2009 ao lançá-lo diretamente no mercado de vídeo e sem qualquer alarde. Um erro que poderia se repetir em outros países, se a produção não tivesse sido exibida nos cinemas americanos em junho do ano passado e coletado elogios unânimes da imprensa especializada.

Foram setenta e dois o total de prêmios arrecadados em festivais cinematográficos, o que inclui seis vitórias no Oscar nas categorias de melhor filme, direção, roteiro original, edição, som e edição de som.

Há aqui mais uma história guiada por soldados americanos no Iraque, mas com uma missão diferente de outras verídicas ou ficcionais testemunhadas durante parte da década passada: desarmar bombas.

O esquadrão, a princípio, é liderado pelo sargento Matt Thompson (Guy Pearce), que acaba sendo morto com a explosão que tentou evitar com recursos precários. William James (o eficiente Jeremy Renner, de “Extermínio 2“, pouco conhecido antes de sua indicação ao Oscar pelo papel) é quem o substitui.

A princípio, os soldados Sanborn (Anthony Mackie) e Owen Eldridge (Brian Geraghty) encaram William como um homem arrogante ao ponto de arriscar a sua própria vida e a de sua equipe, mas há camadas a serem descobertas ao longo da jornada exaustiva e perigosa dentro desse cenário crítico.

A surpresa do projeto reside na sua direção. É difícil associar esse tipo de enredo a uma mulher, o que não impede Kathryn Bigelow de quebrar barreiras para a criação de um drama de ação cheio de sequências arrebatadoras.

É impressionante cada detalhe registrado pela câmera, que vai de explosões e ruínas até o cansaço de personagens portando metralhadoras em meio ao deserto escaldante. Bigelow se dá até ao luxo de fazer com que intérpretes de renome como Ralph Fiennes (com quem trabalhou em “Estranhos Prazeres”) façam somente pontas na tela.

É um trabalho feito com garra e que se desvia de qualquer senso de patriotismo. O que move o complexo protagonista é a adrenalina de seu trabalho ingrato e não a estada em sua casa com a esposa e o filho pequeno, representando um cotidiano monótono e sem aquela razão de viver presente somente nos campos de batalha.

★★★
The Hurt Locker
Dirigido por Kathryn Bigelow
Assistido em DVD (Imagem Filmes)
Texto originalmente publicado em 18/03/2010

Infelizmente, este título não está disponível no Brasil neste momento.
Source: JustWatch

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