O que faz um diretor de cinema quando as suas ideias se esgotaram para uma nova produção? É a pergunta que “Glória ao Cineasta!” responde de forma bem-humorada.
Dirigindo, roteirizando e editando, Takeshi Kitano também aparece aqui como protagonista, interpretando uma versão de si mesmo. O realizador, sempre afeito a fitas de ação, fica exausto pela linha de sua carreira e tenta investir em gêneros com os quais ainda não contribuiu.
Seguem-se obras românticas, dramáticas, terroríficas, entre outras. O planejamento de cada ideia não sai como o esperado, pois o resultado ou remete à violência presente em sua filmografia ou traz histórias que simplesmente não dão certo.
É o caso de uma produção de época de um garotinho vítima da violência entre colegas e família, ou daquela que se aproveita do sucesso do J-Horror trazendo fantasma com maquiagem sinistra. A primeira metade de “Glória ao Cineasta!” se dedica a esses inspirados recortes dos mais variados tipos de cinema.
A segunda parte, no entanto, tem um argumento definido (e é nele que a eficácia da comédia evapora, fazendo a fita atingir um resultado somente mediano).
O diretor Kitano, neste momento, parece de fato não ter ideia alguma do que está fazendo, direcionando o projeto a um caminho de pouca graça e interesse. A salvação só aparece na forma das atrizes Anne Suzuki e Kayoko Kishimoto.
Tenho que admitir que essas duas me fizeram gargalhar como há muito tempo não conseguia. Ambas interpretam vigaristas que bolam artimanhas que sempre dão em fracasso.
A cena na qual almoçam em um restaurante e acrescentam uma barata na comida para não pagar por ela é antológica, assim como aquelas nas quais tentam se safar do pagamento de aluguel e em que simulam um atropelamento para arrancar grana de ricaços. A proposta de Kitano, que mistura várias referências ao cinema, é bem-vinda, mas os méritos do trabalho pertencem a elas.
★★★
Kantoku · Banzai!
Dirigido por Takeshi Kitano
Exibido nos cinemas (Moviemobz)
Texto originalmente publicado em 31/07/2009

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