Avatar

AvatarApós o megassucesso “Titanic”, James Cameron se envolveu com a criação da série “Dark Angel” (cujos quarenta e dois episódios foram protagonizados por Jessica Alba), a produção da refilmagem de “Solaris” e documentários como “Ghosts of the Abyss” e “Aliens of the Deep” e uma ponta no divertido “A Musa”, de Albert Brooks. A razão de ficar tanto tempo empenhado nestes projetos e não na direção é somente uma: “Avatar”.

Embora Cameron tenha aguardado a tecnologia cinematográfica atingir um ponto fundamental para a criação de Pandora, a imensa floresta habitada pelas criaturas azuis com três metros de altura que aparecem na história, os planejamentos das cenas e a construção do roteiro foram um processo iniciado um tempo depois de “Titanic”. Esses anos de dedicação de toda a equipe de “Avatar” poderiam resultar em um enorme fiasco (o filme, em sua estreia, não atingiu as expectativas dos investidores, um episódio similar ao de “Titanic”). Grande engano. “Avatar” é, segundo as estatísticas apontam, o filme a faturar a maior bilheteria da história do cinema.

Porém, é necessário refletir melhor sobre toda a tecnologia 3D. Apontada como o recurso que garantirá o futuro do cinema, James Cameron não é bem-sucedido ao pretender uma revolução a esse tipo de trabalho. Os departamentos técnicos são primorosos, mas os óculos 3D pouco tem a fazer durante a sessão. É difícil se impressionar mais através de truques onde os personagens ficam mais próximos do público por segundos e objetos e elementos que se aproximam durante a ação. As cópias em formato convencional certamente devem oferecer a mesma experiência.

No fim das contas, o que torna “Avatar” uma ótima aventura científica é mesmo a sua história e seus personagens. Bem, mas vamos nos limitar aos “mocinhos”, já que os vilões desempenham o papel manjado de sempre: são megalomaníacos, cheios de frases de efeitos das mais canalhas – pobres Stephen Lang e Giovanni Ribisi. Há quem aponte paralelos entre países de belezas naturais sendo diminuídas pelo Homem ou mesmo plágios de filmes que vão de “Dança com Lobos” à “Pocahontas”. Mas nada que diminua a eficácia do projeto, com sua capacidade ímpar de deslumbrar.

Título Original: Avatar
Ano de Produção: 2009
Direção: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Joel Moore, Giovanni Ribisi, Michelle Rodriguez, Laz Alonso, Wes Studi, Dileep Rao e CCH Pounder
Cotação: 4 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

9 Comentários em Avatar

  1. Também acho um ótimo filme, e não posso negar todo o aparato técnico utilizado. Para mim, a força do filme está em criar um universo fantasioso de uma forma tão real e bonita que parece ser tudo verdade.

  2. O filme claramente se inspira no conceito de “Pocahontas” e no tema proposto por “Dança com Lobos”, mas essa coisa de plágio é fruto de falta do que fazer de povo que especula demais e vive de menos. Enfim… “Avatar” é um espetáculo. E cinema maravilhoso. Dou 5.

  3. Para mim, mesmo depois de tê-lo visto duas vezes (uma normal, outra em 3D), ainda o considero um filme refém de uma tecnologia. Que me perdoem os fãs da película, mas ainda prefiro o James Cameron do Exterminador do Futuro e do Alien: o resgate. É mais a minha praia!

  4. – Luis, o filme é ótimo exatamente por este aspecto que você aponta.

    – Wally, discordo totalmente. Uma coisa é se inspirar em títulos e realizadores. Outra coisa é você permitir que essas “inspirações” nos dê uma clara impressão de que elas estão ali para camuflar um roteiro sem muita criatividade. Se o filme recebeu quatro estrelas minhas, é exatamente pelo que o Luis disse. “Avatar” nada mais é do que um espetáculo, papel que ele cumpre com competência através de sua tecnologia de ponta.

    – Roberto, exatamente. É um filme que não sobreviveria sem a tecnologia da qual é refém. Nos exemplos que você aponta, além de “True Lies” (que é um dos filmes mais sensacionais que já assisti do gênero ação), o quadro é totalmente diferente.

  5. Sinceramente, Alex, achei apenas aquilo que se convém chamar de “banquete visual”. Mas deve ser banquete de fast food, porque por mais que você se alimente dele, não enche a barriga. Como é em “Avatar”: o visual impressionante não sustenta um roteiro fraco. Mas como diversão, não há coisa melhor. Um abraço!

    E obrigado novamente pelos elogios ao 3P, estou me esforçando para voltar à ativa! ^^

  6. – Mayara, concordo com você. Beijos!

    – Luiz, não acho que “Avatar” seja assim tão fast food. Acho ele um filme muito divertido, mas os fatores técnicos ao menos compensam horas de debate. E eu gosto do roteiro, apesar dos plágios. E o 3 Parágrafos é muito bom, como já disse. Só preciso de mais tempo para poder comentar as suas ótimas análises.

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