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Sucker Punch – Mundo Surreal

Desde os primórdios do cinema, os efeitos especiais serviram de ferramenta para uma equipe criar cenas impossíveis de serem feitas sem recorrer a truques. Muitos anos se passaram e atualmente é raro assistir algo que não recorra aos recursos de computação gráfica. Trata-se de algo poderoso, capaz de dar formas as fantasias imaginadas. Seu mau uso é constante, concebido com desleixo ou excesso. Zack Snyder é um dos únicos realizadores americanos ao (re)criar universos fantásticos e deixar uma marca autoral. Já adaptou duas graphic novels (“300” e “Watchmen”) com resultados bem-sucedidos. Com “Sucker Punch – Mundo Surreal” ele se supera.

É a primeira vez que Zack Snyder, um diretor relativamente jovem, trabalha com um argumento original e a cada segundo se nota sua liberdade criativa em ação. Ao contar a trágica história de Baby Doll (Emily Browning), “Sucker Punch – Mundo Surreal” não tem receios de escancarar sua própria fonte pop de inspirações, com ação em eficiente ritmo de video game onde a jovem heroína confronta a própria mente que a submete a percorrer cenários e enfrentar inimigos, tendo a captura de objetos o destino de cada “fase” e um pacato senhor (Scott Glenn) como mentor.

Claro que antes da viagem ao mundo surreal que o título nacional sugere, “Sucker Punch” dá uma introdução apropriada antes que a fantasia tome conta da história. Mandada ao sanatório após uma sequência de episódios fatídicos (a perda da mãe, a morte acidental da irmã e o padrasto canalha interessado em uma herança), Baby Doll será lobotomizada e depende de outras internas para arquitetar um plano de fuga. Pois na companhia de Blondie (Vanessa Hudgens), Amber (Jamie Chung) e das irmãs Sweet Pea e Rocket (Abbie Cornish e Jena Malone), Baby Doll deverá reunir os cinco elementos repassados pelo seu mentor: mapa, fogo, faca, chave e um mistério que será revelado apenas no final. Situação complicada se o sanatório onde estão não fosse um cabaré que reúne como clientes homens poderosos e barra-pesada.

As aventuras que as personagens embarcarão são um deleite para os olhos e também para os ouvidos. Ao som de canções regravadas como “Tomorrow Never Knows” e “White Rabbit”, além de “Army of Me” intacta na voz de Björk, vemos confronto com samurais de pedra gigantes, soldados nazistas com dispositivos que os mantêm vivos, orcs, dragões e robôs. Isoladamente, tais cenários se assemelham a curtas-metragens sensacionais, especialmente pelo domínio de Zack Snyder, que não apenas recorre aos seus conhecidos stop motions como também usa recursos que intrigam o público (a exemplo da dança de Baby Doll que jamais é vista e que serve como passaporte para todas embarcarem nas missões).

Mesmo na versão extended cut (que conta com dezoito minutos a mais) as resoluções da narrativa não são das melhores. Por outro lado, há uma vontade de se fazer entretenimento moldado por imagens. Diante deste prisma, as imagens de “Sucker Punch – Mundo Surreal” são perfeitas.

Título Original: Sucker Punch
Ano de Produção: 2011
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Steve Shibuya e Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm, Scott Glenn, Richard Cetrone, Gerard Plunkett, Malcolm Scott, Alan C. Peterson, Revard Dufresne, Kelora Clingwall e Frederique De Raucourt
Cotação: 4 Stars

10 Comments

  1. Eu não curti o filme. Aliás, cheguei a vê-lo duas vezes, porque ao relembrar de — claro — certas composições e criações visuais, eu me perguntava como não poderia ter gostado daquilo. Em vão, uma vez que falta uma certa profundidade ao filme que não desperta em mim envolvimento com os personagens e os rumos da história. Em capturas, as imagens são lindíssimas; faltou Snyder criar disso um filme. [3/10]

    • Mateus, eu também assisti duas vezes: a versão lançada nos cinemas e aquela disponível lá fora com 18 minutos a mais. E eu vejo no experimentalismo do diretor com os efeitos especiais um filme. Vendo por este ângulo, até “Avatar” é um saquinho.

      • Em AVATAR, a trama tem um apelo maior, o que é fundamental para o envolvimento do espectador (mesmo que às vezes o acho aborrecido, sim). Normalmente o visual de um filme (quando bem concebido e deslumbrante) consegue compensar minha ânsia por uma história interessante, mas aqui os maneirismos do diretor me incomodaram. Porém, totalmente compreensível que alguns gostem e reverenciem isso (eu fiz em WATCHMEN, mas não aqui).

        • Mateus, ainda insisto que não há aqui a ausência de uma história, como muitos andam apontando. Acredito que Snyder também fez um bom uso da música como elemento narrativo. Mas compreendo a razão de muitos detestarem. Eu não consigo gostar dos seus primeiros filmes.

  2. Lucas Lucas

    Adorei o filme, porque nos tras uma mensagem muito legal de vida.

  3. […] trama é polêmica. Lucy (Emily Browning, de “Sucker Punch – Mundo Surreal”) é uma jovem estudante universitária que se divide em vários trabalhos. Em um momento, Lucy […]

  4. […] sabe arquitetar um belo espetáculo de ação, como comprovado em “Watchmen – O Filme” e “Sucker Punch – Mundo Surreal”. Em “O Homem de Aço”, nem isto que diferenciava Snyder de outros cineastas de blockbusters […]

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