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O Homem de Aço

O Homem de Aço | Man of Steel

Christopher Nolan provavelmente não teve uma boa infância com os seus gibis. Só assim para explicar o que fez o mesmo diretor dos pequenos e criativos “Following” e “Amnésia” a se meter nas novas aventuras do Homem-Morcego nos cinemas. E não se tratou apenas de um mero renascimento de um herói cuja reputação foi enterrada com “Batman & Robin”, até então o último exemplar do personagem visto na tela grande.

Parece inaceitável para Nolan tudo o que ele consumiu sobre o personagem. Era preciso imaginar uma perspectiva “realista” para Batman e isso configuraria em eliminar tanto a dinâmica dos quadrinhos quanto os traços góticos imprimidos por Tim Burton em “Batman” e “Batman – O Retorno”. Ou seja: o que provocava fascínio neste universo assumidamente fantasioso é inadmissível para Christopher Nolan. Não satisfeito em desmitificar Batman ao ponto de torná-lo um banana, o britânico agora tem como alvo Clark Kent, também conhecido como Superman e, ou melhor, o Homem de Aço. E o disparo foi certeiro, pois “O Homem de Aço” é um desastre.

Tudo bem, Christopher Nolan não é o diretor de “O Homem de Aço”, mas sua intromissão como autor do argumento e produtor é forte demais para não ser notada, o que corrompe até mesmo o trabalho de Zack Snyder. Mesmo não sendo o diretor visionário que a sua protegida Warner insiste em promover, não há dúvidas de que Snyder sabe arquitetar um belo espetáculo de ação, como comprovado em “Watchmen – O Filme” e “Sucker Punch – Mundo Surreal”. Em “O Homem de Aço”, nem isto que diferenciava Snyder de outros cineastas de blockbusters de verão se vê presente.

Antes que conheçamos Clark Kent (Henry Cavill), “O Homem de Aço” nos mostra Jor-El (Russell Crowe) salvando o seu filho recém-nascido Kal-El enquanto Krypton entra em colapso. O único modo de protegê-lo é enviá-lo para outro planeta. No entanto, a segurança de Kal-El não será garantida por muito tempo, pois o General Zod (Michael Shannon, fazendo mau uso de sua habilidade em interpretar personagens desequilibrados), seu principal inimigo, promete eliminá-lo a qualquer custo. Enquanto Zod é enviado para a Zona Fantasma, Kal-El chega à Terra, precisamente na fazenda do casal Jonathan e Martha Kent (Kevin Costner e Diane Lane).

A partir daí, “O Homem de Aço” busca manter os pés no chão ao registrar o agora Clark encarando como maldição as suas habilidades sobre-humanas. Ele prefere seguir com o aprendizado de seu pai adotivo Jonathan, que o aconselha a conter suas emoções para que possa se proteger de qualquer ameaça que se anuncia. O resultado dessa postura é uma fatalidade que o faz se desligar da sociedade ao vagar sem rumo por ambientes inóspitos.

Como o esperado, Clark Kent descobrirá que o único modo de fazer valer sua existência é descumprindo os conselhos de Jonathan, uma decisão que coincidirá com os planos do General Zod em invadir e destruir a Terra. Como consequência de má escrita, a jornalista espevitada Lois Lane (Amy Adams) não somente cruzará o caminho de Clark, como também se apaixonará por ele em meio ao caos inicialmente promovido por Zod e sua tropa de súditos.

Durante a “jornada épica” d’O Homem de Aço, erros primários são cometidos quando a verdadeira intenção é situar o protagonista em um cenário mais crível. Não é hilário somente o fato de os alienígenas de Krypton terem o inglês americano como língua nativa, como também a habilidade quase mutante de Lois Lane em transitar sem nenhum incômodo em ambientes com grau abaixo de zero – e olha que isso é nada perto do convite que ela recebe sem razão aparente para embarcar na nave de Jor-El agora conduzida por Zod.

Considerando tudo isso, o maior absurdo se concentra nas mudanças de valores promovidas em “O Homem de Aço”. Na intenção de tentar converter Clark Kent em um “estrangeiro” que descobre a si mesmo em uma sociedade habitada por seres humanos e todos os seus dilemas, “O Homem de Aço” quase o converte em vilão. A destruição de Metrópolis e Smallville deixa de ser mero capricho de um arrasa-quarteirão ao notarmos que metade dela seria evitada se o próprio Homem de Aço fosse mais prevenido com aquilo e aqueles que deveria proteger. Portanto, pouco funciona o instante em que o Homem de Aço deve decidir entre poupar Zod ou salvar uma família que está sob seu alvo: a barbárie foi longe demais para que possamos nos importar com qualquer bobagem a explodir na tela.

Man of Steel, 2013 | Dirigido por Zack Snyder | Roteiro de David S. Goyer, baseado nos personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster | Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Diane Lane, Russell Crowe, Antje Traue, Harry Lennix, Richard Schiff, Christopher Meloni, Kevin Costner, Ayelet Zurer, Laurence Fishburne, Dylan Sprayberry, Cooper Timberline, Richard Cetrone, Mackenzie Gray, Julian Richings e Christina Wren | Distribuidora: Warner Bros.

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