Resenha Crítica | O Morro dos Ventos Uivantes (2011)

O Morro dos Ventos Uivantes | Wuthering HeightsAo contrário de sua irmã Charlotte, Emily Brontë teve uma existência tímida em múltiplos aspectos. Nos trinta anos em que viveu, Emily foi quem mais se resguardou em comparação com os membros de sua família e teve a oportunidade de publicar um único romance que, ao contrário de “Jane Eyre” (escrito por Charlotte), não foi bem compreendido na época em que foi publicado. Agora, prevalece a máxima de que é o tempo que determina o valor de uma obra. Por isto, “O Morro dos Ventos Uivantes”  vem a ser uma das maiores preciosidades da literatura britânica, um romance trágico que ainda sobrevive após um século e meio de seu lançamento.

Assim como “Jane Eyre”, “O Morro dos Ventos Uivantes” recebeu inúmeras adaptações para diversos formatos, como o cinema, a tevê e até a música (feito creditado à Kate Bush, que compôs uma das canções mais insuportáveis de sempre).  Cinéfilos mais novos devem se lembrar da versão estrelada por Ralph Fiennes e Juliette Binoche, mas há também a clássica adaptação dirigida por William Wyler em 1939 e muitas outras. Como a de Andrea Arnold, que provavelmente fez “O Morro dos Ventos Uivantes” definitivo da sétima arte.

Sua história inicia com a adoção de Heathcliff (Solomon Glave, o primeiro ator negro ao viver o papel) pelo senhor Earnshaw (Paul Hilton), cristão fervoroso que pratica esta ação como forma de demonstrar sua bondade. Mesmo que tenha desavenças com Hindley (Lee Shaw), filho mais velho de Earnshaw, Heathcliff se adapta ao novo lar graças à amizade criada com Catherine (Shannon Beer), uma garota doce, mas instável, que ignora qualquer diferença que há entre eles. Ainda crianças, a convivência entre Heatcliff e Catherine se estreita ao ponto de se tornar obsessiva. No entanto, com a morte do senhor Earnshaw, todo o cotidiano desses personagens que habitam uma propriedade nas montanhas de Gimmerton se modifica. Heathcliff passa a ser tratado como um escravo por Hindley e Catherine tem como pretendente Edgar Linton (Jonny Powell), um jovem bem-sucedido.

Na segunda fase de “O Morro dos Ventos Uivantes”, já temos Heathcliff e Catherine amadurecidos e incorporados pelo estreante James Howson e Kaya Scodelario (do seriado “Skins”). Embora sejam perdidamente apaixonados um pelo outro, os desdobramentos do passado impossibilitaram a união e o tornaram incompletos emocionalmente. Especialmente Heathcliff, que se afastou de Catherine e retorna rico e amargo.

O romance jamais é concretizado com um relacionamento sexual ou ao menos um beijo e por isto ele é tão arrebatador. Ao contrário de outras versões de “O Morro dos Ventos Uivantes”, a cineasta Andrea Arnold privilegiou aqui um amor que se traduz pela paisagem desoladora, a brisa feroz e os gestos e olhares que valem mais do que qualquer palavra. Faz um filme de formato antiquado (tem uma proporção de tela que remete aos recentes “O Artista” e “Meek’s Cutoff”) e com música que se manifesta apenas no encerramento da história através de “The Enemy”, da banda “Mumford and Sons”. Doloroso e inesquecível.

Título Original: Wuthering Heights
Ano de Produção: 2011
Direção: Andrea Arnold
Roteiro: Andrea Arnold e Olivia Hetreed, baseado no romance homônimo de Emily Brontë
Elenco: Kaya Scodelario, James Howson, Nichola Burley, Oliver Milburn, James Northcote, Amy Wren, Steve Evets, Paul Hilton, Simone Jackson, Jonny Powell, Solomon Glave, Paul Murphy e Shannon Beer

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  5. essa adaptação de Andre Arnold é simplesmente perfeita e fiel as sensações que o livro me transmitiu. Um delícia de assistir.