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Resenha Crítica | Django Livre (2012)

Django Livre | Django UnchainedAlém de um grande diretor, Quentin Tarantino é um grande cinéfilo. A sua maior escola foi a locadora em que trabalhava. Assim como qualquer balconista de um estabelecimento como este, Tarantino assistia obras dos mais diversos gêneros. A bagagem justifica a diversidade de sua filmografia, com títulos moldados através de escolhas que o tornaram um autor único.

Mesmo com várias referências aos faroestes presentes em “Kill Bill – Vol. II”, a decisão de produzir algo que fosse exclusivo deste gênero, que é um dos seus favoritos, era mera questão de tempo. O sucesso de “Bastardos Inglórios” foi decisivo, pois em “Django Livre” o cineasta repete uma fórmula que funcionou: resgatar um episódio histórico e mexê-lo da maneira que achar conveniente.

O nível de qualidade não é o mesmo, mas “Django Livre” caiu rapidamente no gosto do público e crítica. Não é apenas um dos maiores sucessos comerciais de Quentin Tarantino, como também é um filme para ser lembrado em grandes premiações. Como o Oscar, em que aparece indicado em cinco categorias: melhor filme, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro original, melhor fotografia e melhor edição de som.

O período em que negros eram escravos dos brancos serve para Tarantino deitar e rolar em sua roupagem pop já abraçada com entusiasmo pelos cinéfilos ou meros curiosos por cinema. Django, nome eternizado pelo italiano Franco Nero (que faz uma participação muito especial), é incorporado aqui por Jamie Foxx. Marido de Broomhilda von Schaft (Kerry Washington), Django tem a oportunidade de ouro de resgatar a sua amada das mãos de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, numa rara ocasião em que atua de verdade), um poderoso e impiedoso fazendeiro, quando o caçador de recompensas King Schultz (Christoph Waltz) cruza o seu caminho.

Uma vez livre das correntes que o definiam como escravo, Django não parece incomodado em ter King, que se disfarça de dentista e que procurou por alguém como Django para auxiliá-lo em suas missões, como um mentor. Temos então dois personagens que, assim como os soldados judeus de “Bastardos Inglórios”, desejam dar um basta em um cenário preenchido por intolerâncias.

Quentin Tarantino é um criador de história sábio e encontra os tons de humor e violência apropriados em “Django Livre”. Às vezes recorre ao deboche por acreditar como a sociedade fora tão baixa ao seguir com preconceitos tolos, algo muito bem caracterizado no personagem de Samuel L. Jackson, um negro que, olhem só, se revela a pessoa mais racista em toda a narrativa. Sem dizer a hilária cena em que vários homens reclamam da típica máscara de pano do Ku Klux Klan. Também não evita o inevitável desejo de vingança, que se traduz na tela com uma ação sangrenta e empolgante.

Ficou faltando a esta “realidade alternativa” uma montagem mais concisa. É uma queixa previsível, mas é impossível não lamentar a ausência de Sally Menke, morta em 2010, em “Django Livre”. Braço direito de Tarantino, a montadora colaborou em todos os seus filmes, conferindo uma precisão sem igual. Ao confiar o material bruto a Fred Raskin (que trabalhou nos três últimos filmes da franquia “Velozes e Furiosos”), Tarantino lançou um filme com ritmo vacilante e com passagens que poderiam ser descartadas. Certas decições, como fazer Django visualizar Broomhilda durante sua jornada e oferecer uma camada mais humana ao sarcástico King Schultz, conferem ao filme um tom piegas incômodo jamais testemunhado em outras realizações de Tarantino.

Título Original: Django Unchained
Ano de Produção: 2012
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx, Christolph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, James Remar, Don Johnson, James Russo, Bruce Dern, M.C. Gainey, Jonah Hill, Zoe Bell, Robert Carradine, Tom Savini, Michael Parks, Franco Nero, Amber Tamblyn, Russ Tamblyn, Quentin Tarantino, James Parks, Michael Bowen e Misty Upham

4 Comments

  1. Também concordo contigo a respeito da falta de Sally Menke. Mesmo sendo um ótimo filme, o filme perde o folego em alguns momentos e o montador não soube encaixar as músicas com as cenas, se transformando num videoclipe comum.

    • Fabrício, você foi feliz em apontar a maneira como a música é encaixada no filme, algo que esqueci de apontar na minha resenha justamente por se revelar um fator insípido no filme.

  2. Ãhh, como?! Ãhh, como?!

    “Leonardo DiCaprio, numa rara ocasião em que atua de verdade”

    Faz melhor…

    • Mas senhor “não quero dizer que entrei nisso”, precisamos concordar de que só agora Leonardo DiCaprio anda mostrando maturidade para incorporar papéis como este de “Django Livre”. Ele está excelente em seus últimos filmes, houve um salto surpreendente.

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